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ECO...

Terra, meu corpo...
“Da terra viestes e para a terra voltarás” (Gn 3;19)
Tudo é Terra! Eu também sou Terra!
Terra que divide as nações. Terra que une os povos.
Terra: minha mãe. Terra: é mulher fértil, portadora do maior útero que Deus criou. Concebe todas as sementes. E no calor do teu ventre, faz explodir todo o tipo de vida. É no teu parto que nascem os teus filhos amarelos, negros, vermelhos, brancos, pardos... Enfim, és Terra santa. Matriz de todas as cores, matriz de todas as raças.
O planeta é Terra e está doente. Basta olhar para o seu rosto e perceber a palidez de seus campos e matas. Terra amada, tu precisas de cuidados médicos. O remédio está nas minhas mãos e nos meus cofres. A temperatura do meu corpo está alta. O meu planeta esta com febre alta.

Água, meu sangue...
“ E o espírito pairava sobre as águas...” (Gn 1,2)
Tudo é água! Eu também sou água!
Água de todos as nascentes. Água de todas as fontes. Água de todos os açudes, rios e oceanos. És doce, és salgada, és pura... És de todos. És sempre água. Águas de gratuidade.
Batizas todos os dias a humanidade. Purificadora das crenças e das religiões. És o sêmen de Deus na forma da chuva. Fecundas o solo com tuas lágrimas de possibilidades. Água: és o sangue da vida, que corre nas veias do meu Eco-Sistema. Água, sangue bom. Sangue do tipo do meu.
Caríssima Água, mas a minha sede, não é por ti. A minha sede é de poder. E esse poder está mudando a tua cor e o teu gosto. Pobre água, não és mais potável, não és mais inodora, não és mais pura. Na secura das minhas retinas e da minha pele, vou sentindo que aos poucos não serás mais água!

Ar, meu sopro...
“ E Deus soprou-lhes nas narinas um sopro de vida” (Gn 2,7)
Tudo é Ar! Eu também sou Ar!
Ar, és a alma da existência. Invisível, mas se vê, se sente, se precisa, portanto és precioso.
És o vento que carrega o pólen da humanidade, pelo vasto jardim, onde estão plantadas as flores dos tempos. Pulsas no pulmão do mundo. Teus alvéolos são verde clorofila. Tua falta é não-vida.
Quando estás calmo é brisa. Quando estás feliz é vento. Quanto estás tenso e ventania. Mas quando estás irritado é furacão.
És também as pernas, pelas quais caminha o som. És também as mãos, pelas quais flutua os odores da vida.
És divino e onipresente, pois sopras onde quer. Sopras para os pobres e para os ricos, sopras para os simples. E mesmo para aqueles que não possuem mais nada, ainda és, sopro.
Sua democracia nos ensina. Seu dinamismo nos irradia. Sua transparência nos questiona. Tua dança é poesia.

Fogo, meu espírito...
“Eu vim lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que ele já estivesse aceso” (Lc 12,49)
Tudo é Fogo! Eu também sou Fogo!
És a quentura que aquece o meu corpo humano e frágil. És a chama energética que esquenta o mundo inteiro. Estás derretido no centro de nosso globo terrestre. És o Fogo, que pontilha o meu céu de estrelas. És o Fogo, que rasga o meu horizonte por um raio.  No sol és a nossa maior fogueira. Constantemente acesa... Mantida pela lenha de Deus. És o Fogo que faz tudo arder, que tudo consome. És o espírito do universo!
Tua ausência é noite. E sem a tua luz não há beleza. És o combustível dos meus olhos. A noite é apenas suportável em razão da tua luz que vai voltar. O escuro é frio, o escuro é luto, o escuro é morte.

Deus quis ser Fogo para aquecer o ser humano por dentro e por fora. Mas o homem quis ser Deus e apagou o Fogo divino de boa parte dos corações, acendendo-o nas amas de Fogo, nas bombas exterminadoras de sonhos, nos canhões que assustam as crianças e nas industrias bélicas fazedoras de guerras.
É preciso trazer o Fogo de volta ao seu lugar ideal. É preciso acender esse Fogo bonito das rodas de celebração. É preciso trazer de volta o Fogo das velas de todos os altares de plenitude. É preciso resgatar aquele Fogo tranqüilo dos fogões a lenha do povo simples.
Quero ter força, para acender de novo o Fogo do calor do abraço e do aquecer das almas. Quero ter força, para recuperar a faísca do bem que ainda existe em mim e acender a lamparina da minha fé. Eu creio em um Fogo que está sempre aceso. Eu acredito num Fogo que reacende em mim o Amor verdadeiro pelo meu planeta. Um Fogo chamado Esperança e que não se apaga nunca.

Eu creio que sou Terra...

Eu creio que sou Água...

Eu creio que sou Ar...

Eu creio que sou Fogo...

Eu creio que sou ECO... ECO... ECO.... ECO....
Mauro José Ramos
Enviado por Mauro José Ramos em 21/09/2007
Código do texto: T662694
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Sobre o autor
Mauro José Ramos
Caraguatatuba - São Paulo - Brasil, 42 anos
19 textos (734 leituras)
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Mauro José Ramos