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Tuas Cartas

Reli tuas cartas. Estavam lá
Tão displicentes, olhando-me, chamando-me.
Pareciam querer dizer algo que já sabia...
Lá estavam elas, incomodando o meu ser,
Dando luz ao meu penar.

E diziam-me elas, todas as cartas
Que a alma minha calaram em pranto.
Nos momentos de total desencanto
Chorosa crença pairava.

Nas nebulosas do amor, sorria ao encanto,
Diziam-me elas palavras de ternura
Que intumesciam da terra às flores,
Ao palor que me encobria o canto.

Tua letra delicada, trêmula às vezes,
Dizias palavras doces que agora me faltam
A cingir a pele de rubor e medo.
E lágrimas penosas dos olhos saltam tristonhas,
Fora o princípio em letras e o fim...
Em ranhuras... onde falha a tinta,
E rasga-se a seda.

Lá estavam as malditas cartas tuas,
Tinham os olhos negros a me fitar.
Censuravam os meus desejos mais puros,
Na austera crença de um beijo calar.

A voz em desespero manifestava-se louca
Em minha mente vaga...
Lá permaneciam...
Imóveis, tuas cartas.
Alberto da Cruz
Enviado por Alberto da Cruz em 26/04/2006
Código do texto: T145768

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Sobre o autor
Alberto da Cruz
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
201 textos (24144 leituras)
15 áudios (1092 audições)
6 e-livros (1207 leituras)
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