EU QUERIA UMA POESIA

Eu queria uma poesia...

Sobre os segredos da vida

Como supõe-se em termos

A razão da Filosofia

E então a dúvida de um poema

Fosse apenas a descrença

Desse saber ébrio

Queria entender porque o Sol

Me entristece quando se põe,

O porquê desse viver a admirar estrelas

E astros quais não posso

Apalpar...

Justamente.

Meus pés querem sentir a areia

E meu corpo lançar-se ao Mar

Pois os ventos sopram em meu

Rosto

E apesar de não vê-los

Como vejo os luares,

Posso sentir a brisa, todo encanto

Não. Não fogem aos meus olhos

Apenas o horizonte fugidio

Faz-me nascer da poesia

Dizendo dela coisas fatais

Traduzindo-me etéreo

Numas linhas banais

Eu queria somente uma poesia

Que me contradiga

Que me seja paradoxal

E num frênesi

De poucos atentos

Apercebam-se na vida

Este encanto...

De amar todo o brilho estelar

Que abrolha antes do alvorecer

Que fenece ao romper da aurora

Que desdiz o que acabei

De num surto maluco, dizer...

Eu queria, queria teus olhos fulgentes

Tão calmos como este poema extático

Eu queria o encanto

Dos pássaros,

O sorriso preguiçoso dos bosques

Verdejantes

E o siso rubro ártico

Desse infindo arrebol

Queria jaçanãs e jacarandás

O aroma doce das rosas

E por fim, queria uma poesia

Que discretamente terminasse

A dizer do amor infinito

E da afeição eterna...

A falar dos teus suaves beijos

Somente isso porque te amo e assim

No ensejo destas palavras

Queria uma poesia que findasse

A expressar a vida e meu amor

Sim... Queria apenas uma poesia

Qualquer uma que fosse bela

E que eu pudesse entregar ao meu amor

jairomellis
Enviado por jairomellis em 28/05/2009
Reeditado em 15/06/2009
Código do texto: T1619618
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.