Urgência desconhecida

A casa está vazia, quase estéril.

Lá fora, no alto, o universo parece cheio e nefasto.

O barulho dos carros pela janela não dizem nada.

Nem o brilho das estrelas iluminam por aqui.

O mundo parece decorado de saudade.

Por isso, fico de olhos fechados sempre.

Não nego a visão, mas assim é mais fácil imaginar.

É o velho dever de sonhar.

Compor músicas mudas e pintar quadros invisíveis.

O som da rua não me incomoda.

O luar também não perturba.

Mas a saudade de amar, sim.

Ela rouba-me o sono e o entrega a virtude do desejo.

Vontade de conhecer aquele olhar desconhecido,

ou aquela voz ainda silenciosa.

São as promessas de abraço, apenas um e demorado.

Tiago Cabreira

Cabreira
Enviado por Cabreira em 27/06/2009
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