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Fragmentos...

Da ausência que me fizeste,
Sobrou apenas a solidão constante, que me embriaga,
que me escurece a vista.
Procuro não olhar para trás afim de não me enganar novamente,
pensando que é você quem me chama ao longe.

Da solidão que resulta em meu quarto,
ao anoitecer eu deixo meus versos e meus desenhos
soltos ao redor, enquanto procuro fechar meus olhos
e relembrar nossos momentos...

Fragmentos... Fragmentos de acontecimentos...
Fragmentos da tua voz, do teu cheiro, da tua pele, do teu toque em mim.
Fragmentos dos meus sentimentos... Da tua presença, da tua imagem, de nós, de mim.
Mas são somente esses os resultados de minha espera?...

E eis que prefiro guardá-lo assim, como fragmentos;
Não procuro reencontrá-lo, nem aguardar pelo teu retorno;
Seria como um furacão balançando minhas memórias, mexendo em minha vida.
Pois que prefiro assim, distantes um do outro.

Não sinto nem raiva, tão pouco amor por ti,
e o que resta em mim é a doce lembrança de nossas vidas passadas...
Fragmentos de esperanças que alimentam minha alma,
tanto quanto enfraquecem-me.
Pedaços de sorrisos que ainda perambulam entre as árvores,
como um fato onírico e mágico,
como fadas e duendes dançantes.

Procuro não por ti, mas por teus jeitos em árvores, em raios de sol, gotas de chuva, cantos de pássaros, em vidas alheias, em rostos desconhecidos.
Procuro não por tua imagem, mas pela lembrança dela em minha vida, e o quão leve ela faz-me sentir, o quão distante ela me leva.

Permanecerei aqui, pensando que tudo não passa de um sonho...
Pois que me lembro apenas de fragmentos, pedaços soltos que correm pela minha mente.
Pois que do que eu sentia sobraram apenas versos vagos, fragmentos de poemas.
Posso até permanecer aqui, e eu tenho a absoluta certeza de que saberei sempre
que minhas cartas não foram dadas a você, mas que também não foram jogadas fora.
Que minhas lembranças não serão esquecidas, e que tua lembrança tardará em mim, em meus jeitos, em meu sorriso.

Posso até permanecer aqui sozinha, mas tu sempre entenderás
que nenhum mais me fará sentir como tu fizeste.
Que em mim a marca da tua existencia propagará sempre,
como também a marca da nossa história breve.
E no entanto sobrara apenas ausências:
Pulsando em mim, me acordando,
serenamente tranquilizando meus dias,
como sereno é o por do sol.
E na noite me lembrarei de tudo
como apenas fragmentos de um dia passado.
Fragmentos que correm, que voam, que saltam aos meus olhos;
e me fazem sorrir como fazia ao teu lado, com olhar apaixonado.
E se lembro-me bem, adoravas meu sorriso.

Mas não saberás que era por tua causa que eu sorria.
Por tua presença cálida que permaneceria em mim para sempre,
pela minha boa memória de nós dois,
pela tua existencia em uma humilde parte de minha vida.
E estarei dormindo quando virás novamente,
acordarei de manhã enquanto o vento canta a nossa história,
levantarei meus olhos, meu corpo, irei saudar o novo dia.
E novamente, como esperado,
te encontrarei fragmentado  no balançar das árvores...
Serás eterno, assim como nossas almas, assim como eu.
Pois fragmentado estarás no azul do céu, nas gotas da chuva,
tua voz estará nas palavras sussurradas pelo vento...
Fragmentado como é a lembrança de um sonho...
Também como sempre esteve comigo,
por todo esse tempo que passou,
fragmentado no constante silêncio em mim.
Alecrim Crim
Enviado por Alecrim Crim em 08/08/2006
Reeditado em 25/04/2008
Código do texto: T212072

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Sobre a autora
Alecrim Crim
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
374 textos (14585 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 12:48)
Alecrim Crim