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ABISMO, SAUDADE DE TI

Meu amor, a saudade me abateu...
E em pânico desabei do abismo
Sem sustentação, sem esperanças,
Meu corpo enegrecido voou...

Rasgando a pele, o ar gélido deflorou-me,
Inutilizando minha esperança única
De salvar meus dias do lamento
Insandecido de querer-te.

Mas, meu amor, a vida impregna a sua dor
Em mim, em ti, em nós dois, loucos, incoerentes
A brincar de paixão, sem perceber brotar vigorado
O Amor incondicional, sem salvação.

Não há nisso redenção... estamos condenados,
Por tentar... tentar conter nosso desejo intenso
De querer sentir o gosto dos nossos medos...
E, juntos, termos coragem para vencer.

Falhei, por isso, agora, estou em desespero.
Não fui capaz de conter o que me arde;
Não fui capaz de conter o que me tenta.
Falhei, por isso, agora, estou em pânico.

Vendo me aproximar do chão... a queda
Crucial em minha angústia desvairada...
Meu abismo mortal é meu peito, meus pensamentos
Levando-me a loucura da saudade inerente.

Meus desejos me traíram, condenaram
A única forma de vida pensada
Não há mais razão em mim
A não ser o vôo sublime ao solo.
 
Alberto da Cruz
Enviado por Alberto da Cruz em 11/10/2006
Código do texto: T261564

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Sobre o autor
Alberto da Cruz
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
201 textos (24129 leituras)
15 áudios (1092 audições)
6 e-livros (1206 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 07:37)
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