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DESCUBRA-SE TOCANDO-SE

Entre as curvas mais macias de tuas coxas
Existe um mundo de mistérios e feitiços;
Eu quero ver-te curiosa descobrindo-se
Por meio de si própria em rebuliço.

Na tua nudez mais pura ouse encontrar-se,
Descobrir terminações nervosas intocadas;
Estimular, sentir teu corpo,
Reentrâncias jamais desbravadas.

Qual bandeirante a penetrar os vales escondidos
Teus dedos aos santuários arrasem.
Seja nas serras alteirosas ou no pélago infinito,
Onde o ouro e a esmeralda jazem;

Que tuas águas desçam pelas encostas,
E sejam garimpados os minérios mais preciosos;
E verta o gôzo líquido e frenético
De um tal prazer tomado de delírios viciosos.

Teu corpo é como uma ânfora de vinho
Cujo rubor brilha na parede refletido;
De tal sabor e aroma destila o conteúdo
Que o teu cálice enche estremecido.

É como a sêda tua pele feminina,
Cuja textura os anjos desconhecem;
De uma maciez irresistível
Que os dedos aos sentidos não obedecem.

Eu desafio-te mulher a tocar-se
Como a criança deslumbrada ao espelho
Procura entender o estranho umbigo
Num frenesi de alto destrambelho.

Eu quero ver-te aventurando-se
No teu tabu mais proibido;
Entregar-se ao prazer sem culpa
Manipulando solitária os teus sentidos.

Toda mulher que se descobre é feliz
Sabendo que o seu corpo por si só é o prazer;
O palco do espetáculo da vida,
Da delícia de ser, estar, querer e poder.

Abaixo do teu umbigo alguns palmos
Inicia-se o caminho da peregrinação;
Onde fieis se perdem, Loucos se acham,
E enfeitiçados entregam seu coração.

Lábios macios e diferentes que convidam
À caça de outros lábios mais adiante;
E dentro destes ainda um caminho
De um calor molhado aconchegante.

Caminho de relevos tão diversos
Onde cada declive é marco de uma nova descoberta;
De ponto em ponto os dedos desenham
A bandeira que te proclamará liberta.

És livre! Goze cada segundo a tua vida,
Quebraste as correntes do desconhecido;
Descobriste-te mulher há tempo
De viver sorrindo num mundo colorido.

E se dizes ser loucura o que te digo,
Enfrente o desafio aqui proposto,
E entregue-se aos mistérios omitidos
De ter prazer consigo e de viver com gosto.
Danilo Macedo Marques
Enviado por Danilo Macedo Marques em 10/11/2006
Código do texto: T287267

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Sobre o autor
Danilo Macedo Marques
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
59 textos (11374 leituras)
1 áudios (182 audições)
3 e-livros (1731 leituras)
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