O ADMIRADOR SECRETO.

Deito meus olhos sobre a cidade cinzenta.

São Paulo grita.

A manhã rasga fria, cor de prata.

Minha concepção ainda adormecida

Tem somente perguntas que não posso responder.

Ela esta gravada na minha mente

E os meus olhos perseguem a cor dos seus olhos, a cor da sua pele.

Não posso ser mais e nem menos, mas sendo somente eu...

Eu fico perdido tentando entender.

Ao dizer que amo, dizer tamanho sentimento, eu minto.

Mas digo que algo eu sinto

E sinto ardentemente.

Poderei eu vê-la, hoje, novamente?

Poderei sentir o seu perfume contundente?

Poderei ouvir sua voz a entoar o seu canto?

Ou será simplesmente um dia escuro sem o seu encanto?

Ainda que eu fosse muito mais do que eu queira, ainda seria pouco...

Pouco para aqueles olhos, pouco para aquela pele.

A tarde continua fria e eu só consigo lembrar

De quando ela subia aqueles degraus

E de quando se pôs ao meu lado e pude sentir seu perfume.

Não era doce, nem amargo.

Era somente o cheiro de uma mulher. É o que basta.

O cheiro de uma mulher que me tira a paz e que me tira à calma.

Que feitiço tem os seus olhos?

Ou a sua pele?

O que fizeste?

O que queres confundindo-me assim?

Busca no meu peito o fim da derradeira calma?

Da paciência que tanto plantei, do sossego, da paz e da mansidão?

Os seus olhos confrontam com os meus num único instante

E nesse instante eu enlouqueço e brado tentando saber,

Tentando entender, tentando não querer... Somente tentando.

Percebo que estou irrefutavelmente encantado

Por um olhar, por uma canção, por um ser inominado.

Mas Eu sou um covarde! Sei que a palavra é dura,

Mas ela cinge-se sobre o meu lombo.

Pois é isso que eu sou diante daqueles olhos, daquela boca,

Daquele pele dourada, daquele cheiro inquietante.

Eu sou um covarde!

Eu sou uma criança temerosa,

Eu sou um Poeta que chora,

Eu sou uma alma que geme.

A minha covardia me verte tão agudamente que minhas pernas tremem

E o meu ser que grita calado diante da multidão observa os carros que passam

E vêem em cada passageiro aqueles olhos, aqueles lábios.

Não sei o seu nome. Mas os carros passam anunciando que eu fico...

Que eu fico a mercê dos meus sonhos tão ocultos.

Os dias se repetem como um culto

Onde eu me torno mero observado dela.

Que formosa e tão bela

Castiga-me na minha alma inerte e incapaz de desvendar seus olhos.

Seus olhos negros.

Minha alma apaixonada

E a menina que passa

É a fonte do meu desejo...

E Eu sou o admirador que fica.

Ygor Pierry
Enviado por Ygor Pierry em 22/08/2011
Código do texto: T3175979
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