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PRIMAVERA INDIVIDUAL


Te fiz germinar
Sob a chuva fina das manhãs de outubro :
Nada absorveu mais
Meu tempo ou meu alqueire de terra.
Nada foi tão adubado,
Tão intensamente desejado
Quanto tua floração.

De amor e desespero
Permití estufas
Onde estufas eram opressivas,
Criei redomas
Quando bastava luz
E água
E o vento leste.
A insensatez criou emaranhados em hastes
Cipós finíssimos
Que te enlaçaram
Sufocando brotos novos
E ímpetos.

De amor e insistência
Projetei sombras,
Inventei frutos,
Criei dias de sol e oportunidades
Falsas.
Dias de chuva e expectativas de chuva.
Afastei geadas artificialmente,
Resguardando teu desejo
Como um sentinela, para que não te evadisses
Quando o verão chegasse
Debulhando folhas ,
Sonhos
E pequeninas primaveras individuais

Ah. Quanta tensão inadequada,
Quantos limites desenhados
Em torno de um campo simples, com lápis de giz...

( Eu devia ter previsto
Tua partida súbita
Tão lentamente consolidada )

...........................................................


_ Restaram no meu jardim
Conceitos de mortalidade
E impermanência,
Assim como um longo dicurso
Em torno da palavra PERDA.
nadia
Enviado por nadia em 12/09/2005
Código do texto: T49947
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Sobre a autora
nadia
Anápolis - Goiás - Brasil, 60 anos
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