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À MINHA ESPERA

A estrada se bifurca à minha frente, mais uma vez, só que agora é diferente, a situação... posso seguir por qual delas quiser!
Tenho livre arbítrio para decidir, e  esta decisão que agora se apresenta, é a mais fácil 
de todas as que já tive que tomar, pois é fruto de uma outra, radical: o abandono do mundo restrito em que eu vivia, cercada por uma redoma, ou, quem sabe, por muralhas inexpugnáveis, coberta de trevas... e também eu era apenas um vulto sombrio, entre elas...
Arranquei a venda dos meus olhos e o Sol quase cegou - me com o dourado do seu brilho... lenta, mas seguramente, galguei as duras paredes que me separavam do mundo... com passos ainda inseguros, ensaiei minha caminhada para o desconhecido que me aguardava; a descoberta não poderia ter sido mais feliz... pássaros coloridos 
me receberam com seus trinados, o arvoredo entoou uma música celestial, tangido 
pelo vento fresco que esvoaçava em meus cabelos... as flores ressumaram seus mais fragrantes perfumes, para me envolver, cercada por beija - flores coloridos e esvoaçantes, como as pétalas que delas se desprendiam...
sentei - me aos pés de uma árvore e, gozando de sua sombra, teci, para mim, uma guirlanda de flores silvestres, coloridas e perfumadas, colocando - a em minha fronte, coroando - me rainha... sim...rainha de mim mesma, rainha e senhora da minha vida, 
da minha liberdade... para sempre... do que ficou para trás, talvez um dia eu me recorde sem que lágrimas cristalinas brotem
dos meus olhos que, apesar delas, agora têm um brilho muito, muito especial, assim como se guardassem todas as estrelas que brilham no espaço noturno...
Meu caminhar prossegue... não posso parar... banho - me em riachos melodiosos, 
em cascatas de cristal, no mar de intenso verde esmeralda, seco - me deitada em 
rochas que cintilam pontinhos dourados, ao Sol, fito o céu azul, vôo junto às gaivotas, 
aos pássaros, às borboletas etéreas, alimento - me da natureza, durmo sobre a relva verde ou sobre a terra dura, tendo o céu como teto e a lua como lume... e sinto que já tenho quase tudo de que preciso, para ser feliz... mas não... tenho que prosseguir, 
ainda, porque não foi em vão que enfrentei o mundo: existe alguém à minha espera... alguém que me ama tanto quanto por mim é amado e eu sei que está me esperando... 
E quando nos encontrarmos, todo o universo entoará um hino ao amor mais puro, 
belo e sublime que se pode conceber no coração de dois seres... e ao seu lado, refarei, passo a passo, o caminho que fiz, sozinha, para juntos desfrutarmos de toda beleza que o mundo nos oferece em sua natureza grandiosa... e ela será testemunha de todo nosso amor, nossa paixão...


Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 17/10/2005
Reeditado em 17/10/2005
Código do texto: T60393
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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 66 anos
695 textos (57323 leituras)
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Arianne Evans