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Dadivosa

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"...
"Me atirava do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase: Cinema, Parque de Diversão, de Circo, Ciganos.."
E no instante preciso
Entre o mito e o míssil
Um rito um início
De passagem pro infinito
"Aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre."
Que bom se eu fosse uma diva
Daquelas bem dadivosas
Que sai vida entra vida
Ficasse ali verso e prosa
Meu olhar beirando estrelas
A provocar sinfonias
Por todas as galerias
Imagens da minha história..."
(Ana Carolina)


Está na minha dureza, na sensualidade, na intuição
no charme, - ou na argúcia que me vem da raiz -
nesse meu impreciso que impressiona pela paixão
e nessa vontade louca de fazer um homem feliz
de estar, não apenas o mulherão que querem sentir,
mas ser e viver a menina que me vai dentro
que se lambuza de chocolate e vive a sorrir
que brinca com as ervas das matas e faz ungüento
que teve medo, ficou um pequeno bicho encolhido
passou pelos tempos, como a provocar o vão,
e se atirou sem rede ao abismo escolhido
tentando vislumbrar a sombra aberta de uma mão
que se mostra além das máscaras a quem se importa
que alguém um dia machucou mas que não liga mais
entendendo que há outros amores e sempre uma porta
imensa, profunda, em outros planos, outros umbrais
que agora sabe que a roupa que veste não interfere
e que nenhum papel de vítima jamais lhe coube
vivendo o que almeja e se afastando do que fere
sem permitir o jugo de quem jamais soube

quero focar o olho e apenas com os lábios explodir
não desatinar, ser apenas suavidade e mãos
carinhar como pétalas no perfume do florir
ao gozo que vem derramado em carinho e paixão
deixar que esse homem me domine e sorrir por isso
usar o salto, as meias e a saia de fenda
correr quando telefonar, largar o serviço
e ficar linda só de soutien e calcinha de renda
dançar aquele bolero e o tango na horizontal
aprendendo tudo o que ele sabe e quer ensinar
esquecendo antigos fogos, sem o marco do controle
aproveitando os pequenos minutos desse gostar
mesmo que mais tarde o meu corpo se esfole
que depois meu coração viva a vicissitude
um sempiterno por ele e por mais ninguém
que volte a vestir o aço vergástico da atitude
e que jamais olhe com tanto amor para outro alguém
ainda assim desejo e em minha própria seiva me regenero
em minha constância secreta como as árvores antigas
onde estão gravadas palavras de amor que venero
e as expando pela minha sombra e nas cantigas
dos rios calmos que deslizam em minha alma
inundando a terra árida de corações endurecidos
e jorrando vida como as sementes em sua calma
na abundância dos que nunca estão vencidos
fazendo dos passos a extensão do que me vai dentro
deixando um som a que seja lembrado na imensidão
por um outro ser que partilha do meu movimento
a que ele possa sorrir com a menina que brinca no chão.

Obrigada pela mid, Jaque.

http://versosprofanos.blogspot.com/
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 21/09/2007
Código do texto: T661888

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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