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Cantos

Ele me trouxe uma canção
disse que o deixo doido
ansioso
cheio de tesão
guloso

que adentro pelo seu corpo
com um desejo afoito
sem pedir licença
que meu mistério
está além da ciência
está no hemisfério
que rege o coração

ele me deixa meio vadia
capengando pelo dia
e querendo que sua mão
me adentre pelas vestes
desnude-me dos ciprestes
que trago de outra vida
que ele sinta o cheiro do cravo
dos meus meios, sem o agravo
de ser senhor ou escravo
dessa santa tão bandida...


Elegia
(Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos,
a partir de um poema de John Donne, poeta do século XVII)

Deixa que minha mão errante adentre
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la
Eu sou um, quem sabe...

http://versosprofanos.blogspot.com/
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 01/10/2007
Reeditado em 02/10/2007
Código do texto: T675902

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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