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Texto
Já é noite faz tempo e aqui na solidão
do estranho quarto, pensando na vida,
nos filhos, negócios, nada satisfaz a
vontade de pensar você.

Quero me transportar até você
com a rapidez de algumas paixões.
Te procuro pelo mundo conhecido e
por outros que nem sei se existem.

Grito teu nome com voz de pressa.
Passo por cima de cordilheiras,
picos nevados, imagens surreais.

Chego ao Sol,
ao lugar do frescor, da praia,
do sol, mar e futebol.
Passo raspando por igrejas e
universidades, gritando meio
rouco por você, até que...

Pela janela iluminada,
com lâmpada amarela e cortinas
finas de um tecido alvo que de tão
leve, nem com a minha chegada,
barulho algum se faz.

Te acho deitada sem pudor
em tua cama desalinhada
e apenas tua.

Os lençóis como que me esperando,
deixam teu corpo semi-coberto,
tapando apenas teus pés e uma
nesguinha de bumda.

Com cuidado sento a tua frente
com vontade suprema de te acordar,
te beijar, te ninar,
mesmo que possas pensar ser apenas
sonho.

Contendo minhas vontades,
passo eu a sonhar com nós dois,
como se tua efêmera visão, ali,
seminua, ao alcance de meus desejos,
pudesse nos levar de vez a terra
do não-faz-de-conta.

Sigo no dia ensolarado,
passeando por nossa rua,
que agora, na primavera,
é tão parecida com nós dois,
livres, soltos, donos um
do coração do outro.

De volta ao teu quarto,
te vejo agora como a mulher
que sente, que quer, que possui
e é possuída.

Passo de leve minha mão em teu dorso
e sem cerimônia, te mexes faceira,
me oferecendo teus cantos e desejos.

Abres aos poucos os olhos e ao me veres,
teu sorriso preenche o quarto de alegria.
Com tua mão acaricias meu rosto e levantando
apenas o dorso tentas me beijar.

Nesse momento nossos corpos se transpassam
como se fossem feitos apenas de amor,
sem massa, fibras ou dia a dia.

Um instante de dor surge entre nós.
Em teu rosto o sorriso já não ilumina.
Em meu semblante, uma lágrima escorre.

Ao fundo uma balada anima os reais,
os que da terra precisam.

Voltas a deitar e sem te conteres,
teu choro agora é forte.
Nesse momento meu coração dispara,
meus ouvidos doem como se uma campainha
tocasse em seu maior volume.

_ Doutor, telefone para o senhor...

_ Obrigado.

_ Alô, amor?

_ Oi menina.

_ Amor, estava sonhando contigo...

_ Eu sei menina... eu sei.
Tonril
Enviado por Tonril em 19/10/2007
Código do texto: T701120

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Sobre o autor
Tonril
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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