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Queda

"....
Desceste um anjo do céu, ou seria um anjo caído que emergia de teu próprio inferno?!
Apenas me dei conta quando este esta bem próximo de mim, talvez não pôr que quiseste ou pôr minha pessoa assim querer, mas porque a vida pedia aquele encontro em dado momento, em dada situação.
Nesta e em mais nenhuma outra época.

Entrelaçado em meus pensamentos de agonia....  com o sangue de minha amargura a tapar o brilho difuso de meus olhos.... cego diante aos acontecimentos a minha volta... deixei que um simples cisco em meus olhos, pudesse  me fazer deixar de viver a maravilha dos montanhas a minha volta, as extensas e onipotentes florestas em tom verdejante, com rios formados a tua volta, em  formoso contorno que a tudo dava magia.
Deixei de enxergar isto tudo...

Ajoelhado ao chão, fundido ao solo entre sangue e lama, os braços em falso descanso sobre o colo...
Expressão indiferente em meu rosto, nada a denunciar sobre os meus sentimentos.. apenas o que domina é o cansaço... olhos vazios... nublados.....

E você se aproximou pelas minhas costas, com tuas mãos a me acariciar o peito, e calmamente deslizar em meu corpo, até dar forma a teu abraço...
Te sentir...
Meu corpo composto pelo frio de várias épocas,  em contato com tão quente ser... uma sensação inexplicável de conforto... de renascimento.. de acreditar em um novo começo...
Mas como fui egoísta... perdido no caos de meus desejos... inocentes.. profanos...
Não percebi que tuas asas haviam sido arrancadas.. e não era apenas o líquido vermelho que flui de minhas veias que manchava o chão...
Tive medo de lhe abraçar... de sem querer poder  te machucar... mas por mais que tentava vislumbrar mais uma vez teu rosto, aquele lindo e inesquecível sorriso que a minha volta tudo acalmava, que me enchia de prazeroso descanso... por algum motivo não conseguia...

É de fato que anjos não possuem sentimentos, Deus os privou disso, sabe-se lá porquê.
Talvez por não merecerem, ou por proteger tuas puras criaturas.
Apenas são movidos e atraídos pelos sentimentos das pessoas que encontram em suas andanças pelo mundo.
Não se cativam por isto, porém sentem necessidade de ajudá-las...

Pois agora deparo com tal situação...
O que seria eu ?Olhos de um anjo na face de um demônio?


(...)

...”

















“..

Por que me olhas deste jeito?
Olhos embriagados de compaixão, olhos tão belos, que expressam apenas a intensidade de teu ser..
E como és intensa.. e como és bela... cabelos escuros e longos a lhe atravessar a face. Esta, tão delicada, calmamente esculpida por grande artesão que neste mundo não mais se encontra e a história coube que lhe esquecessem o nome, mas que deixaste como lembrança tua mais bela obra, e como deve ter sido doloroso a ele se desfazer de tal criação.



Fico pensando...
O que lhe fizeste descer até essa mistura de sangue e lama, neste lugar criado por mim mesmo.. que dia após dia sustento com meus pensamentos enegrecidos pelo tempo. Apenas tento aceitar a minha natureza, apesar de não querer fazer parte dela totalmente. Porém sei que necessito fazer parte do equilíbrio regido por este mundo. Parar de tentar entender a razão dos atos de cada um e começar a concentrar apenas nos meus.
Por algum tempo tentei de todas as formas negar minha própria natureza.. porém, em vão... pois como poderia negar a mim mesmo?!
Fui concebido para algum propósito que desconheço, mas mesmo assim o odeio, pois foi ele que me privou de sentir... de tocar e ser tocado...

Tua presença, teu sorriso, tudo isto me perturba. Pois, faz  tremer todo o meu corpo e me fazer Ter lembranças de sentimentos que julgava nunca mais poder desfrutar. Torná-los verdadeiros mais uma vez.
Isto incomoda o vazio que a cada dia que passa, se alastra dentro de mim, a me devorar e fincar fundo tuas presas em minhas entranhas... logo saciará tua ânsia em me devorar e seremos um só.
Então vá embora, corra, se esconda.. antes que me torne minha própria ruína e queira me acabar em meio ao teu corpo... acabar com a pureza de teu ser... e te tornar tão vazia quanto irei ser...
Corra, por favor corra...

“Por que isto? Quando me for, tu implorará por um novo encontro a mim. Vejo isto em teus olhos, o único lugar que ainda não foi maculado totalmente por teu sofrimento e que me permite enxergar o que sobrou de tua alma.”

Falaste!
E eu que lhe julgava incapaz de se comunicar comigo a não ser por teu olhar, agora me envolvia por bela melodia que entoava ao proferir aquelas palavras...
Palavras destinadas a meu ser. Uma voz cheia de calma, vivacidade, tão  linda. Que certamente ao cantar, fazeria a fúria do coração dos Dragões, se quietar e pô-los em profundo sono.
Qual não era minha alegria diante do conhecimento de tal fato, apesar que o que dissera me havia soado um pouco estranho.

“Teus olhos denunciam tamanho desejo, mas quer que me afaste. Para me proteger? Você que deve ser protegido, mas nada posso fazer, se a minha ajuda não queres aceitar. Pois para sair deste inferno, basta que pegue minha mão que estendo agora na sua direção.”

“Não posso. Talvez você não entenda. Estaria a entrar em outro inferno maior para mim. Pois acabo de perceber o efeito que sua presença faz com meu ser. E que sensação boa, de conforto me traz. E como podes me machucar sem saber.
A sensação de entrar no campo de batalha e vencer mil inimigos, apenas para mais uma vez encontrar o conforto de teus braços. Ter-lhe feito a promessa de voltar a ti ainda com a vida a pulsar em meu corpo.
Te abraçar, beijar teu corpo por inteiro, lhe dizer entre meus gesto o quanto és desejada pelo meu todo.
Vontade de tudo isto...
Iria me aprisionar em uma prisão sem muros. Dar uma nova forma de pensar a um novo ser. E nós possuímos medo do desconhecido. Pois, inúmeras vezes, ele nos machucou.”

“Não deixe que tuas experiências lhe controlem à vida. Absorva teus ensinamentos mas nunca deixe de caminhar. Se ficar julgando assim continuar, ficará parado no tempo.
Apenas será um observador, e não haverá ninguém para viver sua vida. Aprenderá de todas as formas o que é existir, mas nunca saberá e sentirá as maravilhas de ser surpreendido, ao optar por viver.
Tuas palavras não fazem sentido para mim, pelo ao menos não agora. Devo-me ir e lhe deixar com tuas crenças. Não lhe prometo que voltarei, mas você me dá a sensação de que novamente irei ao teu encontro, ou tu ao meu.”

E assim, num silêncio atônito, deixei que fosse. Apenas fechei  os olhos e quando os abri, não estava mais ali. Teria sido uma alucinação? A personificação de algo que tanto clamava e desejava alcançar?
Sonhava... desejava...

Passam-se dias... O vazio volta a me devorar com mais força, a ausência daquele anjo, faz com que aos poucos tudo queira voltar ao que antes era.
Por que? Por que apareceste assim, de repente e do mesmo jeito se esvai de minha vista?
Cresce a vontade de mais uma vez estar na tua presença.
De certa maneira fizeste diferença em meu mundo.
Me fez questionar as coisas a minha volta e coisas de dentro.
Compostella
Enviado por Compostella em 29/10/2007
Código do texto: T714531
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Compostella
Itaúna - Minas Gerais - Brasil, 30 anos
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