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Confessei o meu amor

No perfil do meu rosto
As marcas das certezas biológicas
E das incertezas impacientes de viver.
Fitando o amanhã indiviso
e pensando entre o desalinho dos meus cabelos
surgem brotos de vontade que não posso controlar.
Revisão de um passado recente
Cronológico, analógico.
No ar a fragrância de notas amadeiradas
Camisa usada, manchada com batom
Das horas em que confessei o meu amor.
Em minhas mãos, sinal do tempo,
Doação e doçura
Rigidez e candura.
Notas musicais, lembranças do desfalecer-me
Na maciez do seu abraço.
Exalo cheiro de lavanda.
No meu corpo solitário
Revela-se a sua presença
Pois que sou toda pensamento
Ilusório
E com meus olhos côncavos
Releio minhas palavras
E com minhas palavras
Reflito minhas palavras
Superfície sem arestas
Não tenho onde esconder-me
Sou eu, no perfil do meu rosto
No meu rosto, sou gosto
Sou tosca e elegante
Sou sua amante, presença constante
Tempo morno, verão
Completa felicidade das flores regadas
Nos vasos esparsos
Dispostos no meu quintal
Tenho tantas palavras
- uma grande subtração –
Sua ausência no reflexo que vejo agora.
Valéria Britto
Enviado por Valéria Britto em 03/12/2007
Código do texto: T763767

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Sobre a autora
Valéria Britto
Arcoverde - Pernambuco - Brasil, 44 anos
78 textos (4058 leituras)
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Valéria Britto