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Salamanda

À primeira vista parecia ser amor
Mas foi a queima-roupa
Que senti nossas chances nesse ardor

Teus sentimentos em carne viva
À flor de tua pele ousei colher
Pétalas de quem ama
Arranjam-se em vaso
De um invisível Ikebana

Todos os glóbulos em fogo
Consumiam avidamente
O que de olhos fechados podíamos ver

Se isso é amor ainda não sei
Pois se dizer que sei
Espanto revoada de azulões
Emudeço trovões
Desafino sinfonias
Trinco pote de jade
Incinero, tal como Nero,
O bem à maldade

Apenas sei ao dizer: “com quem andas?”
O que sou, abraço em esquecimento
E no suor-combustível
Amam-se duas salamandas
leandro Soriano
Enviado por leandro Soriano em 29/12/2005
Reeditado em 20/02/2006
Código do texto: T92053
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Sobre o autor
leandro Soriano
Santos - São Paulo - Brasil, 59 anos
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leandro Soriano