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Pai presente, pai onipotente!


Quarta-feira, 21h45m, começa o jogo de futebol entre o Internacional e o São Paulo pela Libertadores; olho pro meu lado e o sofá está vazio e achava que estivesse, ele, meu pai, ao meu lado, torcendo comigo como eu fazia com ele, lá pelos idos de 1960.

Cheguei a chorar como choro agora e o invoquei: vem, senta aqui ao meu lado!

Domingo vou almoçar na casa do meu sogro Benné, pai da Vívian, mas não é a mesma coisa. Eu o considero um paizão por tudo o que fez e faz por nós, mas não é o velho Schild que vou visitar.

Se você tem seu pai ao lado, abrace-o por mim e diga que o Oscar está com inveja e alegre ao mesmo tempo, mas não esqueça dele, jamais, pois ele é a chave do seu mundo, o começo de sua imagem, seu exemplo infinito.

Já escrevi diversos artigos onde eu menciono meu velho pai; digo velho, pois se vivo fosse estaria com seus 83 anos. Ele era baixinho, barrigudo, mas era o meu pai. Tinha seus defeitos e suas virtudes, mas era o pai. Jamais levantou a mão para me bater, mas devia, mas era o meu pai.

Hoje, cinqüentão, adoraria cozinhar para ele, mesmo que fosse um caldo, uma sopa. Se não tivesse o tempero dele, correria o mundo, mas com certeza que eu cozinharia. Uniria o útil ao agradável.

Paro no tempo e o vejo por detrás do balcão anotando nas cadernetas que muitas, até hoje, contêm os débitos de clientes, que mesmo passando pela frente de minha mãe, não lembram. Estes créditos fizeram falta na sua morte, porque a sorte de minha mãe se resumiu na sua força e vontade, amparada pelo Pai onipotente.

Gostava de pescar e caçar. Morreu disso, mas deve ter morrido feliz e eu comecei a morrer, aos poucos pela tristeza que sinto desde 71 ao não tê-lo ao meu lado, mesmo que fosse para me cobrar, me xingar.

Quisera poder sentar em seu colo, pedindo abrigo, olhando em seus olhos azuis...

Eu posso sim continuar amando-o, pois sei que logo o verei, mas sinto sua falta pai querido, meu velho Schild, como deve o Paulo, o Luís e o Rogério, juntos com a Nice, estarem sentindo a sua falta.

Torço e peco ao Pai Onipotente que não deixe filho algum sem pai. Pode ser alto ou baixo; pobre ou rico, mas que seja pai, somente pai.

Considero-me um pai, mas não sou o melhor pai, mas em o sendo dou valor ao ato e vida de ser pai, porque o que sinto muitos sentem, mas quem não o sente, não consegue imaginar estar aqui escrevendo e sentindo, o velho Schild ao lado tentando falar comigo. Sim, eu sinto sua presença, mas não desenvolvi a habilidade mediúnica para vê-lo, mas eu quero meu pai.

Feliz dia dos Pais a todos os pais do mundo, presentes e ausentes, mas que jamais esqueçam os filhos que sem eles não somos pais.

Oscar Schild.
Oscar Schild
Enviado por Oscar Schild em 11/08/2006
Código do texto: T214150

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Sobre o autor
Oscar Schild
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 60 anos
98 textos (4839 leituras)
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Oscar Schild