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Homenagem a Arnaldo Ribeiro

      Esta semana completa um ano que perdi um grande amigo, o poeta e escritor Arnaldo Ribeiro. Tudo aconteceu de uma forma muito estranha, em menos de uma semana após o seu aniversário. Arnaldo era de Londrina (PR), viveu muito tempo em São Paulo, mas quando isso aconteceu ele não estava morando mais aqui. Estava de passagem divulgando e vendendo seu novo livro. A um ano atrás eu via ele entrar pela porta da minha sala e também o vi sair para nunca mais voltar, apesar da promessa.
     
      Arnaldo ficou na minha casa por 3 dias, estava feliz com as vendas do seu novo livro “No amor e na Loucura”. Deu opiniões sobre meus textos, falou de sua nova vida ao lado da família da irmã, falamos do nosso amigo em comum o Everton e principalmente da dedicação que ele sempre teve em relação à literatura. Disso sou  prova viva, Arnaldo Ribeiro dedicou sua existência ao pensamento e as letras. Elas sempre foram tudo para ele, seu refugio, sua família, seu maior alimento, seu ganha pão, o ar que respirava, enfim, foi tudo e toda sua vida.
     
      Hoje olhei para porta da sala e vi a figura do Arnaldo saindo, pode parecer egoísta, mas senti pena de mim por não mais poder ter um grande amigo junto a mim, nas horas das tristezas ou de alegrias, nas horas do vinho ou das cervejas.
      Hoje além da lembrança o que me massacra a idéia é querer saber o porque ele subiu num prédio e se jogou dele e, porque perto da semana de finados, do aniversario dele e numa esquina da Avenida Liberdade.
           “Arnaldo peço a Deus que te dê paz”
Em homenagem a você vou expor um texto seu.

                 Simples, porém roubado

Era dia das mães, e ele era filho das ruas!
Desde cedo ficou sabendo que aquele era um dia especial,
sentiu necessidade de dar um presente,
Circulou pelo centro!
Foi proibido de entrar em um shopping
Viu muita gente comprando nas ruas e teve sonhos de consumo.

Mas não tinha nem centavos de real!!
Só a vontade e os sonhos

Não teve mais duvidas! Pela primeira vez iria roubar...
Observou uma velhinha. Vitima fácil, mas... não hoje não!
Afinal era dia das mães, e aquela coitada devia ser mãe de alguém

Procurando oportunidade entrou na Avenida Dr. Arnaldo
- “Etâ nome bonito, isso sim é nome de doutô”
Várias floriculturas e derepente, um florista distraído

Passou a mão num ramalhete e saiu correndo
- “Num sei que flor é essas. Mas são lindas”
O vendedor nem percebeu, mas alguém gritou a velha frase:
- Pega ladrão ! ladrão !
Ficou “puto da vida”
- “Porque sempre tem um dedo duro por perto”
Enquanto corria olhou para trás e não acreditou
Parecia que a cidade inteira estava ao seu encalço!

- Orra, ta parecendo a São Silvestre”
Aumentou a velocidade dos pés descalços
abraçado ao ramalhete e rezando para não ser pego
Adentrou o cemitério da Consolação. evitou pisar nos  túmulos
Olhou para trás e viu a multidão mais perto !
E na loucura da caça,
eles pisavam túmulos e derrubavam anjos e vasos
O garoto parou arquejante em um velho túmulo
Na laje fria uma foto de mulher

- “Num sei quem é a senhora, mas não faz mal...
também não conheci a minha mãe”
Depositou o ramalhete e teve tempo de dar um beijo na foto
Levantou os olhos lacrimejantes e fitou a multidão a sua volta

Todos calados observando-o !
Alguns estavam indo embora de cabeças baixas !

Foi um policial quem disse a fatídica frase:
- Você está preso !
A voz enérgica escondeu a emoção

Levaram o negrinho, mas ninguém,
nem mesmo o florista
retirou o ramalhete do túmulo
 


Orlando Miranda
Enviado por Orlando Miranda em 11/11/2005
Reeditado em 12/11/2005
Código do texto: T69900
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Sobre o autor
Orlando Miranda
São Paulo - São Paulo - Brasil
58 textos (3303 leituras)
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Orlando Miranda