O ECO

Guilherme de Almeida-

Perguntei à minha vida:

Como achar a apetecida felicidade absoluta?

— Luta!

Lutei. —Como hei a esta pena dar cadência serena

Que suaviza, embala e encanta?

O eco, então, me disse:

Canta!

Cantei. —Mas, como num verso,

Resumir todo o universo

Que em mim vibra, esplende e clama?

— Ama

Amei — Como achar agora

a alma simples que eu pus fora

Pelo prazer de buscá-la?

O eco, então, me disse:

—Cala!

Calei-me. Ele, então, calou-se.

Nunca a vida foi tão doce . . .

Mais linda porque calado.

Guilherme de Almeida
Enviado por Miguel Toledo em 06/05/2017
Reeditado em 06/05/2017
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