:::: A MULHER DO MEU VERSO :::::

O medo é o carrasco dos meus castigos

E a noite o bálsamo da minha imensidão.

Deito a noite sobre o meu corpo ferido

E sinto no meu peito o cálice da solidão.

Vejo no mar um barco partindo

E no deserto minha desolação.

Sinto na pele meus leves delírios

E choro a morte em minhas mãos.

Meus versos gritam a dor que sinto no peito,

Mas de vazio corpo sinto minha alma desabar.

Eu não posso ser a guerra em que me deito

Muito menos essa treva que vem me sufocar.

Mas de que me servem tantas palavras

Se estou preso a um verso solitário?

Eu nunca mais tornarei às águas

Que me deram o pranto de salário!

Mas não posso vencer. Não, não posso vencer.

Isso que me domina não sou eu, mas é a vida.

Posso fugir, gritar... Posso até mesmo morrer,

Mas para onde irei se da nau só há uma partida?

Estou acorrentado às fontes da minha essência

E deitado na guerra das meus sonhos ternos.

Arranque de mim o véu da vaga eloquência

E deem-me a mulher que faz meu verso eterno...

Ygor Pierry
Enviado por Ygor Pierry em 01/11/2011
Código do texto: T3310676
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