A SUBSTITUTA


Quanto tempo suportando todos
Os pesos das desilusões, desafetos
Desabafos incontidos dos que a procuravam.
De cor viva saudável foi definhando
Com a substituta jovem, viçosa aparecendo.

Foi preferida por muito tempo.
Antes deslumbrante as suas vestes
Foram se puindo mostrando o corpo
Desnudo desbotado envelhecido.
A altaneira substituta parecia dona do lugar.

Na verdade seria necessário um reparo.
Prefere-se a doação que enfrentar a substituta.
Chega a hora derradeira e, humildemente
É entregue deixando a saudade como
Uma velha companheira o dia inteiro.
Quase derramou lágrimas na despedida.

O escrito não se refere ao ser humano.
Mas quase isso, pelo amor devotado a linda cadeira.
Até o sol causticante, impiedoso corroeu
Sua cobertura perfeita danificando-a,
Para a substituta elegante poltrona moderna
Assumir o seu ilustre lugar no espaço dela.


 
Gildete Vieira Sá
Enviado por Gildete Vieira Sá em 01/09/2013
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