A Jovem da Praça

Ao Sol poente nas tardes de verão,

Entre os jardins floridos de nossa praça,

Uma jovem passeava feliz, com muita graça

Exuberante e encantadora...

De um sorriso sempre lindo, fascinante,

Qual uma flor silvestre surgindo ao campo,

Exalando perfume, ternura e encanto,

Como, que a vida, fosse-lhe sempre promissora

Brotava o silêncio quando ela passava!...

Poucos ocultavam-se ao vê-la passar,

Radiante, quanto á luz do luar

Inspirando vida, e novas ilusões...

Sua presença era sempre motivo de festa;

Essa linda jovem, talvez, inconsciente,

Desvairou o juízo de muita gente,

Por ser o sonho de loucas paixões

Passaram-se dias, um vazio em nossa praça...

Fecharam-se os botequins, os bazares,

Sem mais cadeiras nas calçadas dos lares,

Sem o Zé sorveteiro com seu realejo;

Nos jardins murcharam-se as flores

Calaram-se os pardais, na solidão,

Sem festa, sem poesia e sem canção

Com a ausência da jovem, mérito de tanto cortejo

Em silêncio ela partiu, nem disse adeus...

Foi o sonho vivido em nossa praça,

Onde, muitos vivem brindando a mesma taça,

Dessa imensa tristeza que nos invade,

O seu nome, eu não sei se alguém lembra,

Se é Maria, Dolores ou Joana;

Pelo o que eu vejo, se a mim, não engana,

O seu lindo nome deve ser: saudade.

Valmy
Enviado por Valmy em 28/01/2015
Código do texto: T5117420
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