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Sede de Você.

Sede de você.

Qualquer líquido pode aplacar a sede, mas eu prefiro escolher o que beber,
na verdade eu prefiro escolher você, como náufrago em alto mar só penso
na sede de ter você, enquanto gaivotas parecem avisar: ela não vai voltar.
E o desespero aparece na minha frente, e como em um letreiro iluminado,
vejo os dizeres: “Coca-Cola”, mate a sede do amor que existe em você.
E a sensação de estar sozinho é inevitável, então percorro um caminho
imaginário ou melhor o caminho de Santiago, e penso como se pode estar
só em alto mar, para cima o céu infinito é o limite, para os lados meus
olhos se perdem no horizonte e para baixo um universo de lágrimas que
se misturam com as águas do mar, dizem ser as lágrimas salgadas, mas
as minhas são doces, para entrar em contraste com a minha saudade.
O caminho de Santiago é estar com Deus a sós, no mar você procura Deus
e não vê, porque ele está em todos os lugares, sinto sede, sede de você.
De Santiado vou à gruta de Nossa Senhora, hoje dia 19 de Março, dia de
São José vou agradecer, mais que José eu sou Ricardo, consertando os
últimos pequenos desentendimentos, dividindo o que eu tenho de melhor
contigo, e quando você estiver calada nos seus pensamentos e esquecer
até as lembranças, saiba que mesmo assim dois corações continuam a
conversar, apesar da distância. Volto a realidade, não estou em alto mar,
só estou no mirante do Leblon; de um lado Ipanema, do outro apenas São
Conrado, e essa dor que não passa. Sinto saudades da pedra do Arpoador...
O telefone toca, e a voz da Tina, nem se identifica e fala em desabafo de
mas um relacionamento que acabou. Tinha ligado o meu MP3 player e
curtia de “Pretenders”, então brinquei: você quer casar comigo? Ela riu.
Então saímos na noite, como dois caçadores, na Lapa, onde tudo acontece,
aproveitamos a liberdade e o pouco compromisso dessa fase, que tolera
erros, e comemora acertos, de uma busca interminável pela felicidade.
Não desista da sua cara metade, ela pode estar do seu lado, não deixe que o
 tempo passe e nem viva de lembranças e saudades, não aceite migalhas.
Não entre pela porta dos fundos, peça a chave da porta da frente. Quanto
a vocês que procuram a felicidade: deixo um abraço da Tina e do Ricardo.

Ricardo di Paula, 27/10/07. AM 10:00.
inspirado na revista do jornal “O Globo”, Alberto Goldim e Paulo Coelho,
(dia 21 de Outubro de 2007).


Ricardo di Paula
Enviado por Ricardo di Paula em 19/11/2007
Código do texto: T742865

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Sobre o autor
Ricardo di Paula
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
327 textos (72346 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 05:00)
Ricardo di Paula