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Agreste das almas

Neste mundo, tantas vidas
Tocam o seio desta terra
E, em meio a despedidas,
A morte âmaga que lhes encerra.
 
Um sorriso já sem encanto
Vaga cego por estas ruas:
O leva a noite sob seu manto
Por entre sombras de almas nuas.
 
Chovem gotas nesse momento
Mas os olhares estão cerrados:
Só quem chora é o firmamento
E nossos pés, já alagados.
 
O peso desta possa
É muito – ante passos cansados,
E o sabor que a endossa,
Amargo quanto sonhos deixados.
 
Não há rumos que os sigam
Nem tristeza a esses soldados,
Nem destinos que persigam
Quem aos abismos estão prostrados.
 
Desfiladeiros de lembranças
Lhes cercam horas e passado
E atalhos de tantas ânsias
Tentados a um eterno fado.
 
As recordações sempre amaram
E delas a jura que um dia existiram,
Segundos de vida que sem hora voaram
E ao pendor de esquecidos se cobriram.
 
O passado que lhes foi lavrado
De prematuro a saudade levou consigo
E a aura dos nomes que honraram
Corrói à janela de seu umbigo.
 
Desejos, tantas mentes povoaram:
Arquitetos do fio que hão tecido
Mas seus corações se desertaram
Do labor da grandeza que hão querido.
 
O futuro, de construções,
Só em retratos da maresia;
Um vocabulário de ilusões
Descreve, a penas, alma vazia.
 
Os vales em que dias se acostaram
Os floreios das virtudes
São lacunas ora das almas que se levaram
Às agruras em seus açudes.
Vitor Barros
Enviado por Vitor Barros em 26/01/2006
Código do texto: T104419
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Sobre o autor
Vitor Barros
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 29 anos
26 textos (1396 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 19:07)
Vitor Barros