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Solidão

Na rua, apenas um homem anda.
Só ele ,na escuridão...
só ele, a passar pelos becos.
Às janelas cerradas
podem esconder,
amores proíbidos
e outras coisas mais.
Mas ele, não pensa nisso.
Ele é só nessa rua,
cheia de becos escuros
e de lixo.
De vez em quando
leva a mão à boca,
e fuma.
Assim...
parece esquecer de tudo.
Da fome,do frio, da rua.
Ele é só nesta
imensa multidão
isolada pelo concreto.
Mas ele não quer pensar nisso.
Ou melhor;
nunca pensou em pensar.
Os motoqueiros,
fumantes de drogas,
passam às vezes ali.
Jogam mais lixo,
fazem amor,
modificam o monótono da rua.
Mas o meu personagem,
não vê os motoqueiros,
não vê a fumaça,
os sussuros e nem
mesmo às cores.
Tenho vontade de ser
mais uma apenas,
de poder como ele,
passar na rua,
nos becos,
no meio do lixo.
Sem ver a vida, às cores,
sem ver através de
janelas cerradas,
as paixões, os amantes.
E acima de tudo
não ver meus próprios
passos no escuro.
Marcia Barroca
Enviado por Marcia Barroca em 03/05/2006
Código do texto: T149656
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Sobre a autora
Marcia Barroca
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 65 anos
109 textos (3479 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 14:26)
Marcia Barroca