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MUDEZ

Em tudo há silêncio. Tudo está mudo.
As ondas do mar não mais se agitam.
Não há mais nuvens.
Não chove mais.
Mentes sem esperanças.
A depessão, é abismo.
Os sonhos se acabaram.
Inuteis orações.
Os rogos não valem
As praias secaram.
O vento parou.
As matas se ardem em chamas.
As árvores sem frutos.
As semente, não mais germinão.
Futuro inserto.
Abelhas sem mel.
Os dias são noites.
As noites sem luar.
Olhos abertos, de cega visão.
O monstro devora, todos de uma só vez.
Não há mais ração.
A alegria acabou.
Improdutiva é a terra, que
Está ferida de sofrimento e horror.
Ninguem é ninguem.
Globaliza-se tudo, com desunião.
Múpcias falidas.
Filhos abandonados.
Humanos desumanos.
Desconhe-se tudo e todos.
Salve-se quem poder.
Justiça injusta/injusta justiça.
A balança da justiça,está no conserto.
Todos se estranham.
Só as armas de guerra, quebram o silêncio.
O cantor calou sua voz.
O poeta tambem imudeceu.
O pintor não tem mais tinta e nem pincel.
O escultor não tem mais ferramenta.
 E o mundo imudeceu.


Raimundo Otoni
Enviado por Raimundo Otoni em 03/06/2006
Código do texto: T168451
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Sobre o autor
Raimundo Otoni
Londrina - Paraná - Brasil, 86 anos
39 textos (3459 leituras)
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