TRISTEZA

Tristeza, que desejas de mim?

Quem deixou tua hora passar?

Quem deixou teu silêncio falar?

Quem deixou essa vida sem sentido

Tornar-se meu elo perdido?

Quem tornou-se a não te calar?

São silêncios sinuosos em clarim

Eu criei a loucura

Ou ela a mim?

E mesmo doce e terna e pura...

Não é assim! Não é assim!

Eu criei a loucura

Ou ela a mim?

Tristeza, que desejas, afinal?

Se por mim teu amor é desgosto

Em teus olhos – olhar casual!

Se em ti eu não vejo meu rosto

Nunca vi, não há nada igual!

Tristeza, que queres de mim?

Se os beijos nunca feneceram

Não se vê então, não assim...

Que restou de todos que perderam

O teu olhar fatal?

Não! Não assim!

Seria muito banal

Que seria, de tal forma enfim?

Afinal, o que queres conter?

Quem deixou tua hora cruzar?

Quem deixou como rios a correr?

Os teus dias, os teus dias passar...

Que queres dizer?

És mulher? Ah, mulher!

Porventura, que desdenhas do amor

Não o sendo por imortal a ti

E nem sempre nem nunca igual

Ao afeto que aqui e ali

Sempre sendo por ti desigual

À ternura de uma mulher?

jairomellis
Enviado por jairomellis em 20/06/2010
Código do texto: T2330755
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