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Tempestade Majestade, Mar Revolto e minhas sobrevivências (epílogo do meu parecer)

Depois do choro e todo aquele martírio
Depois da morte e ressurreição
Depois de tanto querer levantar
E todos os meus versos de bons significados e minhas mensagens transcritas em rimas brancas
E como doeu esperar o perdão!
Mas parece que agora eu sei aonde está a solução
Sentado aqui, num banco de praia tento reorganizar minhas idéias e ouvir o que a vida tem para me dizer e para aonde ela quer me levar, vejo o pequeno pássaro, invejável alado, que pula, voa e é ágil... Como posso eu ignorar tal linda criação!? Quem me dera voasse e talvez me ausentasse dos momentos de solidez.
E esse mar que se estende ao infinito, que em seu poderio dominador ruge aos sete ventos. E suas ondas vêm e vão. Quem me dera pudesse voltar ao lar protetor.
Um céu nublado, que há pouco chorava e assentou a areia do mar, e eu a desenhar palavras no chão que mais tarde a maré vai levar. Quem dera todos nós, se pudéssemos manifestar nosso parecer e permanece-lo vivo até o fim dos tempos, mas assim como a flor nasce e não tarda a secar e morrer, todos nós somos.
Pareço ser inesgotável em minha criatividade e na mesma velocidade que crio, desapareço e nada mais sou. Por que somos todos movidos por impulsos?
Minhas falhas estão bem guardadas e a maré já levou e eu sei que só há um perdoador.
E o vento que sopra, me purifica de toda a minha queda quando achei ser fraco demais para agüentar, me purifica também de todo o meu apogeu de quando achei que era forte demais para simplesmente superar, então, como posso ser um homem íntegro se na dúvida do bem e do mal parei no purgatório? E eu sei que muito já disse ter sofrido e muito já disse ter superado, então, agora me diz, quem sou?
E essa vida que me mata, me vivifica, me renova, me purifica e me afoga... Porém não sei, não sei por que, mas olhando para o mar exatamente agora, ele me parece ser tão atrativo!
Meus pés tocam a areia gelada e, sim, é tão frio! Mas eu me sinto vivo e talvez rio agora mais do que disse ter sorrido em meus momentos de suposta glória.
A gaivota que passou e quase me levou e me fez tropeçar. Será um aviso? Será um aviso divino de que eu não devo mais seguir?
Ó grandioso vento que nessa monção me purifica levando meus pecados com o seu tufão.
Mas o céu chora e chora tanto, tanto que também me faz chorar, porém me faz caminhar, mais e mais, e prossigo a seguir.
A água que toca meus pés e é como luz para um olho sem vida, um grito para uma voz contida, pernas para meu coxo viver. E a água que purifica e mata, vivifica e mata, me faz chorar e quer me matar e joga a onda que bate no peito e leva embora minha respiração. Por que tanto impacto? Não me alerte da vida quando já estou a um passo da morte.
Mas mar, és tão atrativo! Pareces um doce que faz minha boca salivar.
 E agora tudo que cheiro é água, e enquanto esta toma conta de minhas narinas e dos meus pulmões, ela parece me purificar enquanto me mata, parece me vivificar enquanto me mata, parece me renovar enquanto me mata, me faz sorrir enquanto morro, me faz chorar enquanto morro, silencia meu pedido de socorro quando já não quero mais morrer, e me perdoa quando já morri. 12/09/2003
Manoel Aguiar
Enviado por Manoel Aguiar em 29/09/2006
Código do texto: T252672
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Sobre o autor
Manoel Aguiar
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 29 anos
21 textos (361 leituras)
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Manoel Aguiar