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A primeira coisa que eu fiz

Mas sei que estou glorificadamente alegre e titubeante
Como se um copo de água me derramasse uma fonte nos pulmões
E parece que esta formosura de felicidade
Está aos poucos me dizendo jóias mortuárias de verão
Ah, sim, aquelas velhas jóias em que eu me enfeitava todo as três da tarde
Arruinando meus pedacinhos de pele esparzidos numa pequena montanha de solidão
Mas, aquela solidão que eu esperava ter quando bebê, quando um esperma triste
Eu era esperançoso quando neném, porque quando neném, eu havia me dado ao desespero do mundo
E durante essas décadas, tornou-se um fósforo gélido minha força
Descobri hoje ao tomar o café enquanto admirava as gérberas amontoadas de horror no espalmar da janela
Não tenho força para ter esperança
E quando bebê, eu era feliz
Eu corria me algemando nas veias de minha mãe num útero cor-de-rosa e verde, eu me raspava em mim pra sentir o gosto do meu viver
Ah... como é gratificante lembrar de quando se vive
E durante todo esse tempo, em que me vejo simplesmente triste, penso:
Este coração, está indo embora de mim...
Junior Monteiro
Enviado por Junior Monteiro em 08/10/2006
Código do texto: T259098
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Sobre o autor
Junior Monteiro
Umuarama - Paraná - Brasil
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Junior Monteiro