LAMENTOS EM SOLEDADE

Muitos carregam um coração triste,

Qual noite cerrada, qual mata virgem,

Sem clareira nem luz...

Não soa, nas fibras suas, a voz canora

Das aves gárrulas, nem dos

Pássaros tristes ouvem o pio...

De longe em longe, um rouxinol com

Mavioso canto embeleza o silêncio da Natureza;

Porém, nada, nada os seduzem...

Deixaram que a vida lhes fosse, até aqui,

Como um barco deslizando

Num rio sob sebes frondosas,

Onde buscaram colher versos,

Contemplando a crista das pequenas ondas,

Sentindo, às vezes, no rosto,

A chuva em muitas bagas...

Vezes outras sairam, entre as árvores da terra,

A catar frutos de encantamentos

Em suas copas verdejantes...

E, apesar disso tudo, trazem um

Coração triste, melancólico,

Principalmente em horas vagas...

Quiçá porque o mundo, cheio de

Crianças sem rumo, caracteriza

Uma ampla noite de misérias,

Na civilização religiosa, que entretanto,

Não tem Deus e, por isso mesmo,

Dá origem a despautérios incessantes...

PEDRO CAMPOS
Enviado por PEDRO CAMPOS em 05/01/2011
Reeditado em 27/06/2014
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