Morte

Olhe para mim e diga que não esqueceu.

Fostes embora e tudo em mim se perdeu.

Deixastes muita saudade.

Neste dia belo das maravilhas, você voltou

Vê, minhas cinzas nada mais restou...

Lembra-te da nossa amizade.

Se ao teu lado já não me encontras.

É porque te procuro, aonde não estás.

Perdoa-me, ó meu Deus!

Perdi em outros caminhos de lembranças.

E admiro esta esperança,

Dos meus passos serem teus.

Poderias gritar chamando e seria em vão.

Pois, sei que juntos jamais nos verão.

Não pense assim! Ainda te amo.

Mas, aos poucos vejo meu sonho acabar...

Minhas pernas fraquejaram, não consigo lutar

Sou só uma gota, neste oceano.

Se perdi a razão da minha vida...

Meus passos se amedrontam ainda.

Por favor, me socorra!

Não tenho mais força para vencer

Meus últimos suspiros estão por fenecer.

Vem antes que eu morra!

Minhas lágrimas se perderam no tempo.

Se chorasse iriam secar de novo o vento.

Por que me sinto triste?

Não posso tentar ser feliz e choro na amargura.

Por que pensar em morrer? Que loucura!

Se Deus em mim existe!

Preciso de um sopro de vida

Paz para restaurar minha alma infinda

Ó, tira-me da solidão!

Como um esplendor de flores no jardim a florir.

Anjos cantando no céu a reluzir.

Salva-me e te dou meu coração!

Ah, meu Deus! Não tenho vontade de viver

Sinto-me infinitamente triste, o que fazer?

Somente sua vontade...

Então me dê amor, para fazer o bem.

Guia-me por teus caminhos, amando também.

Tira-me desta iniquidade.

Vejo certamente um paraíso depois da morte

Como um planeta de luz, cruzando o norte.

Leva-me contigo!

Arrasa-me o coração num grito sepulcral

No seio do céu aonde a alma é imortal

Meu eterno amigo!

Se sou o que não queres, uma pecadora.

Perdoa-me, pois minha alma é sonhadora.

Não precisa me falar.

Se não posso, cantar, livre como a cigarra

Nem como Sansão que nas colunas se agarra.

Então venha me salvar!

Entrego tudo o que sou, tudo o que tenho.

Neste altar de puro amor, hoje venho.

Serei pura e inocente.

Para te seguir na minha cruz de ferro.

Meu passado no sepulcro enterro.

Viva! Ó luz ardente!

Serei um botão de rosa que quer desabrochar.

Uma fonte de água viva querendo brotar.

Alegrem-se agora!

Sofri, morri e me ressuscitastes.

Da escuridão das trevas me tirastes.

Ah... Minha alma hoje te adora!

Maria Eugenia Santos
Enviado por Maria Eugenia Santos em 14/01/2014
Reeditado em 19/05/2014
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