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TRISTE PALHAÇO

No circo de minha vida fiz ilusão,
Ator, palhaço dando gargalhadas;
Muito melhor que cair nas calçadas,
É estar no picadeiro da emoção.

Debaixo de uma lona rota carcomida,
Dou espetáculo para a grande platéia,
Palhaço de ilusões em troca de vida,
A cada dia um novo dia uma nova estréia.

A troupe comemora mais uma cena,
Do palhaço gargalhante e engraçado,
Que atrai atenção quando entra em cena,
E ninguém vê ali um pobre desgraçado;

Que a vida jogou nas ilusões perdidas,
De sonhos ávidos, mas não realizados,
Nas emoções dilaceradas e sórdidas,
Que a vida lhe deixou como uns trocados.

E ao fecharem-se do espetáculo a cortina,
O palhaço se recolhe ao seu canto triste,
Sem aplausos, sem risos, sozinho, persiste...
Amanhã, por um momento esquece a vida;

Esquece os dissabores, os males, as tristezas,
Esquece por um instante as incertezas,
Pois vê no sorriso espontâneo das crianças,
Que ainda há pureza nas suas lembranças.

Assim sou eu, palhaço de ilusões perdidas,
No picadeiro da vida, gestos largos soltando,
Dando adeus, partindo, vendo partidas, acenando,
E continuando sozinho, curando minhas feridas.
Lúcio Astrê
Enviado por Lúcio Astrê em 07/09/2007
Código do texto: T643029

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Sobre o autor
Lúcio Astrê
Euclides da Cunha - Bahia - Brasil, 60 anos
263 textos (10237 leituras)
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Lúcio Astrê