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A Catedral

Meu coração tem catedrais imensas...
                                 Augusto dos anjos

A Catedral

Do ventre dum vulcão morto,
Brota um insólito sinal.
Adoece, nos olhos da noite,
Uma estranha catedral.

Na vertigem do verso
A catedral de melancolia.
Verte lágrimas velhas,
Regatos de cinzas frias.

Anjos de névoa passeiam,
Com vestes de vitral.
Cochilam cristalizados
Num jardim negro de caos.

Espectros vãos atuam
Em teatros de absurdo.
Ceifam no céu da carne
Astros de brilho turvo.

As areias do Tempo,
Fogem na escuridão.
Em montes de chagas
Que jamais cicatrizarão.

Orando escondido no altar,
O sacerdote do medo
É cansado construtor,
Condenado, ao eterno degredo.

Jogo em jardins de joio
O viçoso trigo da crença.
A um deus cruel construindo
Templo, à sua presença.

Quem erigiu este templo
Pintou tudo de solidão.
Catedral triste da crença,
Escombro de meu coração!

Luis Felipe Saratt
Enviado por Luis Felipe Saratt em 24/10/2007
Reeditado em 05/10/2008
Código do texto: T708433
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Sobre o autor
Luis Felipe Saratt
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 35 anos
61 textos (1089 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/10/17 13:32)