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Cemitério da Capela Nossa Senhora da Penha de França – MG

(15 de outubro de 2007)


O respeito pela vida
quanto deve à despedida?

Quanto fica de quem vai
pelas plagas de Deus-Pai?

Não fica o velho e o jovem
igualmente quando sobem?

(Não fazem questão nenhuma
da idade só a pluma.)

Os mortos da cidade grande, como vivos,
não se enterram nem vivem: são arquivos.

(Têm números, gavetas, fichas, covas,
mesas, camas e trincheiras quase novas.)

Os vivos desta capela
às seis vêm namorar, na janela,

e rezam por nós, mascarados,
com seus mistérios desmaiados;

também se chamam no fogo das Minas
fios dáguas peregrinas.

Esperam que o homem aprenda
seu mito de verdade e lenda;

quanto mais se diz sabido
sabe apenas quando o estendido

houver só depois do sétimo sino
vinga o homem e seu destino.

Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis...
Não ainda. Não fiqueis.

Ide dormir, crianças do acaso,
deixai-nos o mundo raso.


Marcelo Moraes Caetano
Enviado por Marcelo Moraes Caetano em 17/11/2007
Reeditado em 27/12/2009
Código do texto: T741162

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Sobre o autor
Marcelo Moraes Caetano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Marcelo Moraes Caetano