Algodão Doce

Na rua a sineta vai tocando

Insistentemente...

Mente.

Outros tempos.

-Olha o algodão doce!!!! algodão doce!!! doce!! ce!

E o ECO ia repetindo a sentença enfraquecidamente

até se ouvir só o ‘dão’ ‘ão’ ‘ce’ ‘e’

Eu ia procurando os centavos

onde quer que eu pudesse achá-los.

Ansioso dentro de casa catando potes.

A voz do algodoeiro ia desaparecendo.

E eu precisava de mais um só

centavo para juntar à soma

do preço do cobiçado

algodão doce – tão doce

Era cena rotineira de toda tarde de sábado.

Hoje é domingo de manhã

e esta figura que nunca mais eu vira

(vendedor de algodão doce)

inusitadamente apareceu.

Algodoeiro.

Algodão doce

hoje colorido.

Não tão doce como eram os brancos

de minha infância que se desmancharam

em calda que as formigas beberam.

L.L. Bcena, 11/06/2000

POEMA 536 – CADERNO: GUERRA DOS MUNDOS.

Nardo Leo Lisbôa
Enviado por Nardo Leo Lisbôa em 07/11/2011
Código do texto: T3322267
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2011. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.