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Sou Criança

            SOU CRIANÇA

Não tenho espaços, prisioneiro do barranco que me aprisiona,
Quero ver flores, passarinhos cantando, eu sorrindo,
Minhas energias quero gastar em campos floridos,
Correndo livre, recebendo a brisa que vem ao meu encontro.

No entanto, o que vejo me entristece e derramo lágrimas,
Logo em frente ao meu barraco o esgôto que corre solto,
Exalando mau cheiro, não tem pudor, pois traz desgraças,
E quando chove, ganha corpo ameaçando vidas.

É assim a minha vida que gostaria diferente fosse,
Ter um lar digno onde poderia sonhar meus doces encantos,
Pois ser criança é sorrir, saber brincar, correr solta, desimpedida,
Como outras fazem e eu não posso pela minha pobreza.

Na noite escura dentro de meu barraco igual aos muitos,
Ratazanas sinistras catam migalhas das sobras que não temos,
E ameaçam morder mostrando suas presas afiadas e venenosas,
Se nada encontrarem para saciar as suas fomes.

É assim a minha vida de criança pobre sem esperanças,
Sofro frio por não ter cobertas quando o inverno é rigoroso,
E nas chuvas que engrossam o córrego de sujeiras,
Podem levar nas águas sujas nossas posses que são poucas.
Jairo Valio
Enviado por Jairo Valio em 30/08/2007
Reeditado em 16/09/2007
Código do texto: T631429

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Sobre o autor
Jairo Valio
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 82 anos
518 textos (41079 leituras)
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Jairo Valio