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B@TE P@PO DO POET@

No menos, o % poet@l@do % desce da sua solidão e entra na sala...

Quando estou infeliz eu sou o “H do C”,
entro na sala, cumprimento o respeitável público,
distribuo gargalhadas com marmelada e goiabada,
se tem mulher pra roubar, faço arte e muita palhaçada,
mas saio logo se no circo só tem platéia “séria” ou “ocupada”....

Quando estou filósofo eu sou o “herrar é umano”,
entro e fico esperando o efeito do duplo sentido do engano,
se me informam que umano é com h, envio uma careta assustada,
se me ensinam que perdoar é divino, agradeço dentuço a lição já decorada,
mas para filosofar só vou para o “reservado” com a pessoa mais adequada...

Quando estou criança eu sou o “Thomaz Turbando”,
entro, escolho os “nicks” mais puritanos e vou logo gozando,
escolho a mais prepotente e tento ganhar sua “importante” atenção,
troco idéias que logo demonstram ser meu “nick” pura e simples ilusão,
lembrando que as aparências enganaram a quem só pensava na minha mão...

Quando estou pouco complicado eu sou “o psiqui@tr@”,
entro paciente e fico de plantão no pronto socorro do consultório virtual,
analiso as disfarçadas e desesperadas mensagens de quem busca caridade real,
seleciono a “cliente” e compartilho meu tempo com a semelhante desconhecida,
que busca como remédio apenas uma palavra amiga para sentir-se mais protegida...
     
Quando estou muito complicado eu sou “simplesmente h”,
entro, ouço as “midis” e procuro acompanhar os papos que rolam na tela,
fico aguardando até que surja algum assunto que fuja da mediocridade geral
e vou simplificando minhas complicações ao socorrer os navegantes do mundo virtual,
tristes náufragos do oceano revolto dos dramas decorrentes dos ciclones da nossa vida real...

Quando estou muito solitário no meu chão de giz eu sou o “girassol verde”,
visto meu terno azul, penteio-me, suspiro, entro e fico aguardando o meu harém:
“pequen@”, “runaway”, “Luiza”, “enamorada” ou uma encantadora “borbolet@ @zul”,
meninas, rebeldias, razões, emoções virtuais alucinadamente reais e revolucionárias paixões,
chuva e arco-íris de ardentes beijos verdes menta, azuis aniz, cerejas cereja, vermelhos corações...

Quando o “H do C” sai da sala ele sempre sai mais feliz,
o “herrar é umano” sempre sai mais culto,
o “Thomaz Turbando” sempre sai mais adulto,
“o psiqui@tr@” sempre sai mais aliviado,
o “simplesmente h” sempre sai mais confortado
e o “girassol verde” sempre sai mais amarelo e apaixonado...

Quando o % poet@l@do % descobre essa face boa que a sala da “net” contém,
transforma seus bate papos em rimas que ilustram e traduzem tão bem,
que na “tela” da vida que “rola”, cada um só pode “enviar” aquilo que tem,
e mesmo “travando”, “caindo” ou “ignorando” o ritmo da “midi” que vai e vem,
cada um só recebe de volta, mesmo que “reservado”, tudo aquilo que enviou também...

No mais, o % poet@l@do % sai da sala e cai na real...
Wilson Madrid
Enviado por Wilson Madrid em 15/02/2006
Código do texto: T111997
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Wilson Madrid
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Wilson Madrid