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By myself

Já chorei ao nascer e quando me deparei com a morte de perto;
Já me vestí de palhaço para fazer sorrir...
Já fui palhaço sem estar vestida...

Já ouví histórias de vida, e vidas mortas em dramas.
Já sentí o amor fluir na leveza de um olhar...
Já fui corpo, alma e espírito na sua individualidade...

Como corpo, fui humana...
Como alma, fui sentimento...
Como espírito, toquei o eterno...

Já tomei chuva de verão,
Já fui molhada por um carro que passou na rua...
Já descí do salto para não machucar o pé.

Já tentei não sofrer de amor,
Já me decepcionei...
Já vivi momentos que pensei serem eternos.

Já fotografei, filmei,
Já esquecí.
Já ví arco-íris em dia de tragédia,
Já recomeçei.

Já chorei de alegria,
Já sorri na tristeza.
Já pensei em morrer,
Já descobrí a alegria de sentir a vida.

Já respirei fundo,
Já prendí a respiração para mergulhar.
Já tomei sol e descasquei depois,
Já tremi de frio.

Já fui musa sob a lua,
Já dormi na praia.
Já fui uma em mil,
Já fui mil em uma.

Já ardi no frio, já gelei sob o sol.

Já liguei quando não devia,
Já falei quando estava sem palavras.
Já sonhei acordada, já vivi achando que era um sonho.

Já fui doutora, menina, filha, par.
Já levei lambida de cachorro,
Já chorei de amor e lutei contra o ódio.

Já gritei em túnel,
Já andei de moto morrendo de medo.
Já vi árvore ser arrancada com raiz,
Já tentei voar.

Já achei que o primeiro seria o último,
e que o último seria o primeiro.
Já tive amor platônico,
Já abracei bem apertado.

Já joguei bilhar, boliche,
Já fiz cicatriz no joelho brincando de pique-esconde.
Já fiz declaração de amor para os meus pais,
Já pensei em ir para a guerra.

Já vi um leão de pertinho,
Já enfrentei meus traumas.
Já fiquei inundada em carro,
Já tive beijo roubado de desconhecido.

Já tive medo de apanhar depois de fazer arte...
Já tive vontade de bater em um cliente.
Já cortei o cabelo curtinho...
Já pensei em colocar um piercing e fazer tatoo.

Já andei de chapéu,
Já recebi flores.
Já estive na chuva com um bolo de aniversário.
Já briguei com chefe, já reconciliei um casal.

Já andei de carro importado,
Já empurrei uma Kombi, de salto, na lama...

Já dei um chocolate gigante para uma criança limpinha...
Já mordi a barriga do meu sobrinho,
Já usei perfume de neném,
Já levei rosas e fiz serenata para um velhinho.

Já almocei com um anjo,
Já enfrentei demônios.
Já vi estrela cadente e fiquei feliz, fazendo pedido...

Já tive pesadelo depois de ver filme de terror,
Já fiz bola de chiclete gigante.
Já fui em um parque só pra fazer bolinha de sabão no sol.

Já cantei sem saber a música,
Já ganhei carro em sorteio,
Já morei fora de casa.

Já comi uma pizza enorme sozinha, com 7 anos...
Já sofri acidente de carro,
Já vi uma pessoa morrer.

Já fiz bolha no dedo para aprender a tocar violão,
Já matei aula,
Já pesquei um peixe gigaaaaante !

Já fiz fogueira em casa sem luz elétrica para espantar morcegos,
Já brinquei com formigas, pulei elástico, amarelinha...

Já ouvi Tati Quebra Barraco e Thaikóvisky...
Já brinquei de fazer teatro com sombras,
Já contei histórias com origami,
Já dei forma e nome às nuvens.

Já acreditei que a Terra era uma bola gigante dentro de uma caixa de sapatos, e Deus olhava pelos furinhos...
Já ouví histórias de Pedro Malazartes...
Já ouví o coração do meu pai bater quando ele me pegava no colo e levava pra dormir.

Já fiquei dias rindo com histórias bobas de família...
Já levei choque, mordi “preda d´água”, cantei músicas bobas...
Já li Marx, Niesthche, Bíblia e Tio Patinhas.
Já li a resposta no final das palavras cruzadas...
... ou será que não ?

Já chorei porque meu balão voou...
mesmo com outro bem novinho amarrado no dedo...

Já fiquei dias contando quantos carros passavam na rua...
Já ganhei uma boneca maior do que eu.
Já dormi no carro e no cinema...
Já senti o coração disparar ao pegar na mão de alguém.

Já recebí serenata e declaração de amor em público,
Já tive uma música feita pra mim.
Já saí pra andar sem rumo...

Já brinquei de faz-de-conta...
E quase beijei um sapo.

Já precisei tomar calmante por causa de uma barata...
Já tive um papagaio, um gato e um aquário gigante (juntos!).

Já tomei decisões acertadas,
Já errei.
Já arrisquei, e novamente coloquei os pés no chão...
Já mirei as estrelas e acertei meu pé.
Já mirei meus pés e achei um lugar do infinito.

Já fui poeta, repórter, atriz, amiga, irmã.
Já fui mais forte do que eu...

Já me vesti de palavras... E como podem ver...
... me despi de mim.

(22.02.2006)
Sheila Campos
Enviado por Sheila Campos em 31/03/2006
Reeditado em 02/04/2006
Código do texto: T131689
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Sobre a autora
Sheila Campos
Taubaté - São Paulo - Brasil, 39 anos
19 textos (2674 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 00:11)
Sheila Campos