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"" SENHORITA!!! ""

Senhorita!!!
Eis que escuto uma voz longe
Viro pra os lados e uma imagem se materializa na minha frente.
Um menino de estatura media com cabelos crepos como de um anjo dono de um par de olhos verdes cintilantes
Viro para frente novamente, e vejo que só poderia ser engano...

Ha muito não me chamam assim, e em uma padaria perto de casa, as pessoas não costumam ser tão cordiais...
Pago meus pães pego  o troco e saio com aquela voz rouca parecendo ser bem conhecida a meus tímpanos
Eis que surge então, o dito cujo!
Era quem eu havia pensado, meu primeiro namorado...
Claro, senhorita, como poderia esquecer, tinha certeza que era você!
Oque faz aqui, pergunto,
   - O mesmo que você senhorita!
 
Sentamos e tomamos um café, como a muito não fazíamos.
Nosso esporte preferido, tomar café e namorar, dois pobres viciados em cafeína e nicotina.
Ele me conta do seu casamento que vai mal, da sua vida, da casa que construiu com a sacada e uma rede, de como combinamos quando éramos noivos.
Conversamos muito, sorrimos mais ainda e lembramos de tudo.
 Lembramos do tempo em que nossos problemas eram outros, diferentes do que temos hoje.
Ciúmes, stress, traição, não no nosso tempo não existia isso, tínhamos que estudar trabalhar muito sem falar nos problemas familiares.O tempo que sobrava era para o amor para conversa, para expor nossos planos, para desenhar a planta da nossa casa, e compartilharmos com todos o quão grande era nosso amor e sonho de ficaram,os junto por muito tempo.
As brigas eram por besteiras, e não duravam mais que uma hora, traição e mentira,não passava perto daquela casal...
  Hoje temos nossas próprias casas e as dificuldades financeiras não nos assusta mais.

Ele continua tocando violão
eu também
Ele continua bebendo café
eu também
Ele continua surfando
eu não lembro que cheiro tem a parafina
Ele continua com seus sonhos
eu também
Ele continua buscando a paz
eu também
Ele ainda sente muita a morte do pai
eu também

No final pergunto:
- Porque compras pão tão distante da tua casa, praticamente do outro lado da cidade, e descubro que era para um tradicional café lá em casa , acabamos nos encontrando antes sem saber, mas o horário dos nossos cafés continua o mesmo.

O café foi ali mesmo, nos despedimos com a promessa de que nos veremos mais vezes pra compartilharmos de tudo que ainda ha de vir...

  Eu com o cabelo que a muito não era loiro, mas com o olhar de tranqüilidade que ele jura nunca ter visto igual.
Ele com os mesmos olhos verdes e a mesma voz rouca, porém sem aqueles cachos de anjo que eu costumava enrolar com os dedos...

  Ambos a procura de paz
Daquela velha paz que compartilhávamos em silencio tomando chimarrão na beira da praia.

  Enfim, um domingo de paz, como a muito eu não vivia...
Um domingo com café e sinceridade.
Sem juras, apenas lembranças, um beijo no rosto,um olhar cúmplice e assim seguimos.

   Derrepente:
   - Senhorita!
   - Esqueceste os pães!  Você não muda mesmo!

Suelen Mônaco
Enviado por Suelen Mônaco em 15/10/2006
Reeditado em 15/11/2006
Código do texto: T265280
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Sobre a autora
Suelen Mônaco
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
82 textos (10790 leituras)
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Suelen Mônaco