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Mãe, andavas por toda a casa

segredinhos e sorrisos

e meneios de menina

e eu era pequenina

pequenina e espreitava

percebi, senti, sentia

que me iam dar a boneca

Era o Natal... e lá estava!

E era uma boneca linda!

Soube então que era mentira,

o Menino Jesus não vinha

a prenda no sapatinho

era a mãe, a mãe que a dava!



Viveu longamente a boneca

intacta

de cabelo loiro, imagina!

Os olhos abria e fechava

tinha uma blusa branca

e uma saia encarnada



Tu é que foste depressa.





Ficou toda a vida a boneca

com algo de teu que restava

e eu amava, como amava!

Gostou dela a minha filha

pegou-lhe, a tua neta!



Mas meu pai, talvez de raiva

num dia qualquer, na terra

tirou baú, roupas, boneca

e a tua linda trança

envolta em rede fina

... tu há tempo foras,

a trança brilhava ainda

e era da cor da minha!

Aquele homem sem alma,

sem direito nem respeito,

deitou fogo à minha herança:

Uma boneca e uma trança!


12/12/2000
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 18/11/2006
Reeditado em 18/11/2006
Código do texto: T294571
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 64 anos
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