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DOIS COM DOIS

Eu sou uma
e tu outra criatura

Por mais que nos unamos,
somos duas

Assim vivemos em busca
da exatidão dos nautas,
arando estrelas virgens
e anjos de outras eras;
a deglutir o fogo, a água
ou ares de outras terras,
a despertar sementes
em pedra preta e dura

Por mais que remendemos
inevitáveis horas,
há sempre o perguntar:
onde estão os passos da amiga?
onde os seus gestos?
em que desvios descobrirei
sublime e arcanjo rosto?

E passo meus momentos
somente a escancarar
fecundações de pedra
e lesma solta em gosma
em plena festa persa,
inca, lusa ou maia

Por entre vacas mudas de mugidos
e éguas fecundando em pasto solto,
engulo os dissabores e inevitáveis dores,
mascando a gema, o sal e outras feridas

Fico a cantar-me em glórias,
ora, pois, pois,
a rimar-me e a somar-me
dois com dois



Fernando Tanajura
Enviado por Fernando Tanajura em 11/08/2005
Reeditado em 23/05/2012
Código do texto: T41972
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando Tanajura
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