Degelo

Ondas brancas adormecem.

Formando um círculo, entrebatem-se sonolentas.

Pueris e vagas contornam um espaldar.

Lânguidas sob os flocos que resplandecem,

caem em vírgulas, balouçando...

Um rito formam. E entreolham-se sonolentas.

Nascidas do sonho, completam-se no ar.

Subidas do vapor. Dispersam-se no horizonte.

Donde respiram, deitadas, inalcançam a fronde.

Mas, respondem a frente. Em sinuosos olhares.

Num artificial eco; virtualmente congeladas.

Sussurrantes, procuram as bolhas de ar,

Enchendo-se d'água, perdem-se entre lembranças,

no degelo se vão,

se perdem,

se vão.

***

São Paulo,

29 de setembro de 2008

*Em versos livres.

Felipe Valle
Enviado por Felipe Valle em 04/08/2016
Código do texto: T5718392
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