Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

ESTIO EM-CERRADO

Talvez a primeira lua da primavera
aceite serenar a noite.
Noites de estio não serenam e anoitecem cheias
de imprecisões e porquês.

Noites que esperam cores e chuva.
São noites, são burras, são apáticas.
Ignoram o estacionar da lua atrevida
nesse hotel de fogo e fumaça.

Primeira lua de primavera
vem adornada do sol na melodia calada do estio.
Vem clonada, riscada em papel carbono
Vem virgem-puta e bronze com certo recato.
Vem rubra-ouro dançarina de flamenco em brasa.
Vem prenhe e dá a luz do casulo de vapores.
Vem agreste e lacrimejante em seus orifícios gélidos.
Vem alquimista e transforma ouro em água.

Lua em cerrado
nasce em tronco,
cresce no fruto
e morre em broto
verde, não mais seco
porque já chorou demais.


E o escuro será céu.
Terra será terra.
Verde será o alimento se a água assim desejar.
Morto vivo,
pedra pedra,
mato mato,
bicho bicho. O fogo ao dormir sonhará que já foi fogo.
A noite será precisa e o cerrado não terá porquês.


André um Jerico
Enviado por André um Jerico em 29/09/2007
Código do texto: T673899

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Andre Barbosa de Oliveira www.ideiadejerico.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
André um Jerico
Monte Santo de Minas - Minas Gerais - Brasil, 47 anos
56 textos (824 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 18:05)
André um Jerico