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Residência dos silentes

Estive distante por sutis momentos
Cantando para si os pesares do coração
E em meio a este trêmulo colapso
Abstive de toda a razão

Forcei meus passos para além da consciência
Tomei dos ares uma brisa tão afável
Embebi meus dedos na umidade desta dimensão
Lucidez ausente, que sentimento adorável

E na loucura desta minha letargia
Subi caminhos inda frios de madrugada
Vultos errantes, peço desculpas por invadir
Sem cerimônias, tão suscinta pousada

Fora o amanhecer de meus pensamentos
Pois deste instante me vi outra vez consciente
Me deparei com verossímil residência
Expurguei minha vivacidade latente

E deitei-me nas verdejantes colinas
De um bosque que parecia antes morto
Mas outrem fizeram-me companhia
De serenidade fiquei absorto

Eram tão belas as covas, tão quietos os mausoléus
Elegeram-me monarca dessas terras, presente dos céus
E conto de prontidão minha satisfação
São tão mais agradáveis estes mortos, do que aqueles vivos
Que só fazem viver em vão!
Márcio Ferreira
Enviado por Márcio Ferreira em 07/10/2007
Código do texto: T684504

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Sobre o autor
Márcio Ferreira
Campinas - São Paulo - Brasil, 26 anos
12 textos (645 leituras)
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Márcio Ferreira