CONFISSÃO

Aqueles poemas curtos e concretos

Sumiram da minha mente.

Não consigo ser sintético

Ao ponto de matar uma charada

Com apenas uma pequena frase,

Num texto poético curto,

Concreto e sintético.

A prolixidade tomou conta de mim,

E não consigo entregar ao leitor

Um poema coeso e conciso,

Capaz de dar seu próprio recado,

Sem muito rodeio chato,

Que “torra a paciência” de qualquer pessoa,

Ruim ou boa.

Na nossa língua escrita e falada,

Aqui, acolá, lá ou na estrada,

É sempre assim:

Sou tão prolixo,

Coitado de mim!

Antes eu reduzia o universo

Em apenas um verso.

Hoje pego um verso

E faço um universo.

* poesia publicada no livro "Êxtase de Dor" em 1999 pela Editora João Scortecci

Aires José Pereira
Enviado por Aires José Pereira em 27/06/2020
Código do texto: T6989852
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