Perdida com Brinco de Pérolas

Teu olhar,

tuas mãos distantes,

me afaga a alma e

me agita os poros.

O ecoar da tua voz em minhas nervuras

é frêmita sinfonia desconhecida

Ah! Stravinsky...

Notas dissonantes encontram ritmo

em meu corpo nu,

sintonia cósmica que já me preenche de sermos.

E é pelo tato ardido que se faz amor,

roçar de chamas,

é pelo beijo que nos faríamos extasiados.

Através do calor,

do esfregaço de corpos

nos faríamos artistas,

poetas, talvez,

do arder divinal.

O alarme da carne ansiosa é sirene incessante,

Escuta-me!

O tremor diáfano das minhas células em desencanto

me atordoam o espírito,

Toca-me!

E o silêncio que me grita reverbera, sem ecos,

no pulsar de um coração que ainda lateja.

Vertigem abissal de querer-te.

Ana Paula Perissé
Enviado por Ana Paula Perissé em 29/06/2008
Código do texto: T1056914
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