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Perdão! Perdoai-me!

Com três gotas de sangue manchei o papel
E me desagradei
Me desagradei daquelas gotas de mim
Que estagnaram a minha palavra.

O papel sentiu pesar
Abandonado, rejeitado queria a fogueira,
Queria se queimar!
Ah! Se aceitasse meu perdão!
E se soubesse que foi por ela
Que cortei o pulso direito
E deixei uma porção da minha essência
escorrer indiscriminada.

O papel se lançou às injúrias;
Desgraçou o dia em que me aceitara
E que permitira que o tocasse.

Ah! Pena rija que arranha sem mágoa
O meu pulso nu e o papel desconsolado.

Quase me esqueci de ti!
A ti confessei meus erros,
A ti entreguei minhas mágoas;
Sobre tua brancura recostei-me
Quando me senti desconsolado:
E tu, folha enraivecida,
Tu me consolaste sem pedir qualquer dívida
Além da minha pena.

Bebei meu sangue uma vez
E correi para a janela para ver
O crepúsculo divino que se mostra
Pedindo-me um último suspiro!
Uma última gota de minha consciência
Escrita em ti, com tinta ou sangue!

Sucumbo e não mais me negarei,
Nem te esquecerei, tu esposa fiel
Poesia que me amaste
Me roubaste e me fizeste em cada momento teu

O ser mais simples e mais feliz
Da existência pródiga a que me entreguei.
Gabriel Caetano
Enviado por Gabriel Caetano em 09/07/2006
Código do texto: T190621

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Sobre o autor
Gabriel Caetano
Irlanda, 66 anos
89 textos (3737 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 20:45)
Gabriel Caetano