Tiú-Tiua
 
 
 
 
Dezembro de setenta e cinco...
Chuva pela madrugada, ansiedade no ar.
Abri a porta e sai.
Andei pelo quintal para respirar.
 
O cheiro do mato...
Pássaros voando felizes...
O sol se esquentando...
E o seu sem seus matizes.
 
Foi quando encontrei um ninho de bico de lacre
Todo fechado caído no chão.
Fiz uma entrada. Cutuquei...
Lá dentro havia três.
 
Levei para casa.Pegamos os filhotinhos.
Improvisamos cama e uma gaiolinha...
Alimentamos com pedaços pequenos de pão molhado.
Papinha e um pouco de leite.
 
Um não resistiu...
Mas os dois cresceram fortes, espertos e bonitos.
Nunca consegui ensiná-los a voar...
O medo era fatal: gatos soltos pelo quintal.
 
Nada sobrevive em cativeiro, diziam alguns intrometidos!
E eles voando dentro da casa,
Vivendo quinze anos,
Sem que alguém explicasse os motivos.
 
Como pássaros, na vida tive dois amores...
Nunca notei se também, os aprisionei,
Porque os amava demais...
Mais do que pensei.
 
Como os bicos de lacres pequeninos,
Precisavam seguir e, voar para outro lugar...
Tiu-Tiu e Tiua nos braços de Deus devem estar,
Já não consigo imaginar.
 
Fábio e Henrique...
Perto, em minha lembrança,
E olhando a Gruta de N.Sa de Lourdes,
Sonhei, sorri, senti e lembrei que deixei de ser criança.
 
 
De Magela e Carmem Tereza Elias
 
 
(Aos pássaros. Àqueles que nos ensinaram a voar. Que nos ensinam até hoje a ver do céu as imperfeições humanas. Aos pássaro que fizeram da fantasia minha única forma de viver).

Carmem Teresa Elias
Enviado por Carmem Teresa Elias em 03/01/2012
Código do texto: T3420368
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