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Mil vezes em mim...

 
As vezes eu quero ficar, as vezes eu quero sumir, tem dias que estou com vontade de rir e outros de morrer.
Quase sempre que quero ficar só e trancada no meu silêncio, mil coisas solicitam a minha atenção, e quando estou me sentindo absolutamente só e querendo alguém pra conversar, as pessoas estão todas ocupadas com as suas próprias dores, tarefas e até com a sua própria solidão.
Ando em volta de mim mesma sentindo calor e frio, irritada com os barulhos, buzinas e com as pessoas que agridem meus silêncios ou interrompem meus pensamentos. Parece  que tenho agulhas nos olhos, facas na garganta, sensações de dor e uma saudade de nem sei o quê.
Olho para o céu e quero subir, me acho um bicho castrado sem as asas, olho pra rua e quero ir em frente sem vontade de olhar pra trás, mas sinto os pés agarrados ao chão como se estivesse presa por raízes profundas. Algumas vezes sou um anjo, outras sou rainha no meu bordéu, diaba do inferno que arde dentro de mim.
Eu rio, rio um riso bobo, rio de mim e pra mim, esperando com esse riso mentir pra quem eu não sei, que a vida corre nos trilhos e que basta passar a mão num violão que a noite se cobre com um manto de estrelas. Eu rio e choro de mim e pra mim sempre que me olho e não me acho, pois nunca sei quem sou ou onde deveria estar se nesse chão que se racha sob meus pés continuo entalada qual hera mal plantada, secando sem encontrar muros para fugir.
Há dias que quero morrer e no seguinte renascer como fenix de cara nova, e há dias que simplesmente não queria ver nascer para não saber se quero viver ou simplesmente nele me perder entre as horas sem ter compromissos de ser.
Que desatino viver sem ter certeza se quem olho no espelho sou eu, que indelicadeza não ter nos olhos, na pele e na mãos a alma que volita acima dessa roupagem densa que morre um pouquinho a cada dia.
Ah como me quero imortal, hoje, agora, navegando nesse mar de ilusões e sentimentos, sem porto para atracar, sem praias a me esperar, como me quero eterna nos meus olhos que se enchem de pérolas brilhantes, rolando...como me quero dona dos mistérios que hei de herdar para transformar o que for da minha vontade quando um dia tocar.
Não desejo a eternidade no viver, porque hoje eu só quero morrer, mas almejo renascer de mim todos os dias enquanto puder viver para me experimentar indefinidamente...
 
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 14/02/2006
Reeditado em 26/02/2006
Código do texto: T111916

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
1054 textos (55630 leituras)
25 áudios (3274 audições)
1 e-livros (247 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:51)
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