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Do que Há - Parte III

Parte III

O cubículo escuro incomoda sua delicadeza. Pouco ar e nenhuma luz. Deixa-se ser uma dobra de si mesmo, sua própria alteridade. É possível ouvir o trânsito na madeira, algumas vozes e uma certa agitação. Não há o que se fazer quando não há o que se fazer. Lá fora a água corre, vadia, rua abaixo, lavando a noite anterior. Há um silêncio que me acompanha, mesmo quanto discurso, mesmo quando escrevo. Silêncio de grito apavorado porque acordou. E fico de orelha, sem saber de mãos, como gato que espreita o olho no espelho. O rosto da mulher que anda aparece desfocado. De orelha. Vejo a mancha movendo-se pelos corredores. Uma mão faz que vai abrir a gaveta. Vai abrir. A voz ecoa um não absoluto. A mão recua. Não há ar suficiente para toda uma vida, ele sabe. Eu também sei.

O azul amofina fechado. Era um presente e ninguém recebeu.
Vládia Queiroz
Enviado por Vládia Queiroz em 27/02/2006
Código do texto: T116841
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Sobre a autora
Vládia Queiroz
Salvador - Bahia - Brasil, 41 anos
5 textos (217 leituras)
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Vládia Queiroz